POLÍCIA
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009, 20h:57
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TRISTE ROTINA
Polícia Civil desvenda morte de menor
Homem que estava preso por assalto, em Várzea Grande, é acusado de matar adolescente com Síndrome de Down, depois de brigar com o pai dele
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia Civil anunciou ontem ter descoberto o autor do assassinato do adolescente Elvis Rodrigues de Campos, de 15 anos, que sofria de Síndrome de Down, e que foi executado com um tiro de revólver em abril do ano passado, no bairro Portal da Amazônia, em Várzea Grande. Trata-se do vendedor Mário Bernardino de Oliveira, de 29 anos, que já estava preso no Carumbé, e usava o nome do irmão, Valdomiro. Ele foi preso no ano passado, durante um assalto em Várzea Grande. Mário Bernardino é conhecido entre os policiais como o Pistoleiro do pino, numa referência a um pino externo que foi implantado em sua perna, depois que sofrer um acidente de motocicleta. Ele teria praticado cinco assassinatos - é investigado em quatro homicídios, enquanto que por um já foi julgado, condenado e cumpriu pena durante cinco anos. Segundo o delegado Antônio Esperândio, responsável pelas investigações, o adolescente foi morto por vingança, pois horas antes, o suspeito do assassinato brigara com o pai do garoto, no interior de um bar situado no Parque Del Rey, em Várzea Grande. A motivação ficou clara: tratou-se de vingança por causa da briga que o homicida tivera com o pai do adolescente. Já o tínhamos indiciado e pedido a sua prisão por este crime. De modo que ele está preso acusado de praticar um assalto e também pelo homicídio do garoto, explicou. Mário, no entanto, negou ter participado do assassinato. Não sei por que estão me acusando. Não pratiquei nenhum crime. Eu não conhecia nem a vítima, nem o pai dela, assegurou. Na época, o crime teve grande repercussão e revoltou os vizinhos da família por causa da forma cruel como o adolescente foi executado. O pai do garoto, Benedito Francisco de Campos, disse à Polícia que, no dia do crime, por volta das 16 horas, chegou a um bar do bairro, que fica em frente ao terminal de ônibus. Ao entrar no recinto, se deparou com três casais que tomavam cerveja e jogavam sinuca. Benedito informou que pôs a chave do carro em cima da mesa usada por um dos suspeitos do crime, identificado como Valdomiro. Este não gostou de ver a chave sobre a mesa que ocupava e reclamou. Põe isso em outro lugar, cara. A mesa está ocupada!, reclamou. Benedito contou que ficou indignado pela forma como foi tratado, revidou a agressão verbal e os dois entraram em luta corporal. O proprietário do bar interveio e separou os brigões. O comerciante chegou a levar um golpe de taco na mão durante esforço que fez para por fim à briga. Quando os ânimos pareciam ter sido apaziguados, Benedito conta que decidiu voltar para casa. Ao chegar à porta da casa, ainda foi admoestado pelo filho: O senhor bebeu, né, pai, acusou o garoto. Em seguida, Benedito disse que foi dormir. Não demorou muito e um desconhecido chegou em frente à casa de Benedito, no momento em que o garoto Elvis conversava com a irmã. Pouco tempo depois ambos foram surpreendidos pelo criminoso. A irmã saiu correndo, mas ainda conseguiu ouvir o tiro, que foi disparado pelo desconhecido e acertou a testa do adolescente. Benedito acrescentou que logo em seguida foi acordado pela esposa que chorava e lhe dizia que o filho fora ferido à bala. Levado ao Pronto- socorro de Várzea Grande (PSVG), o adolescente morreu durante o trajeto. Revoltados, os vizinhos dizem que o garoto era muito querido. Uma pessoa com a Síndrome de Down não faz mal a ninguém. É sempre uma pessoa maravilhosa. Como é que alguém tem coragem de fazer uma coisa dessas? É um absurdo!, reclamou uma vizinha.