A Delegacia Especializada de Repreensão a Entorpecentes (DRE) vem mapeando e feito buscas domiciliares para combater o tráfico de drogas em Cuiabá. O foco é chegar aos chefes das quadrilhas. Mas a tarefa não é fácil. O delegado titular da DRE, Marcelo Martins, reconhece que é muito comum encontrar jovens usuários participando do tráfico. Às vezes fazemos pequenas incursões para prender o traficante, que é quem mantém os aviãozinhos, na maioria pessoas dependentes. Para exemplificar, Martins cita que nos dois últimos flagrantes feitos pelos policiais da delegacia estavam dois adolescentes. Além disso, ele lembra que a presença de jovens, que atuam como aviãozinho, é muito comum em pontos como a Praça Maria Taquara, no Centro da cidade, e na rua 4 de Janeiro, no bairro Jardim Leblon. Mas a situação extrapola, por exemplo, os muros ou portões de escolas localizadas no Centro e periferia da Capital. Eles levam a droga até o cliente e recebem uma porção, normalmente, de pasta-base. Então, o traficante não se expõe tanto e o usuário tem a sua droga sem desembolsar nada. A estratégia dificulta a investigação por que o usuário acaba blindando o traficante. Muitas vezes temos que fazer todo um trabalho anterior para provar que o traficante é traficante, e não usuário. Na rua 4 de Janeiro, conforme o delegado, é freqüente o trânsito de carros de luxo. Os fregueses passam e é o aviãozinho que faz a entrega da droga. (JD)