POLÍCIA
Sábado, 29 de Março de 2008, 14h:52
A
A
EXTERMÍNIO
Metade das vítimas tem relação com crime
De acordo com DHPP, dos 66 assassinatos já registrados na Grande Cuiabá só este ano, 50% dos mortos estão entre ex-presidiários e demais criminosos
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Dos 66 assassinatos ocorridos em janeiro e fevereiro deste ano na Grande Cuiabá e investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), metade das vítimas era de ex-presidiários ou pessoas que praticaram algum crime de menor poder ofensivo, como furto e não havia registro de queixa. Esse foi o período em que o índice de assassinato de pessoas com antecedente criminal chegou a um patamar significativo. No ano passado, o número de pessoas executadas que passaram pela cadeia foi menor, conforme a polícia. Em alguns casos deste ano, o assassinado tinha recém-saído de uma unidade prisional. Dos 33 ex-presidiários ou envolvidos com a Justiça, alguns eram viciados em drogas ou traficantes, mostrando de forma clara que o crime se tratava de acerto de contas. Embora tudo indique um extermínio de ex-presidiários, a polícia disse que são crimes isolados, com autores diferentes, apontando para acerto de contas em bairros diferentes da Grande Cuiabá. No bimestre, foram registrados 70 assassinatos e somente 66 investigados pela DHPP. A representante da OAB na comissão de defesa dos direitos humanos, a advogada Betsey de Miranda, vislumbra o acerto de conta por tráfico partindo de dentro dos presídios como um dos motivos. Muitos presos pedem dinheiro à família para pagar os traficantes, diz. Para a delegada Anaíde Barros, da DHPP, em alguns casos, ficou claro de que se tratava de vingança de familiares de vítimas desses ex-presidiários. Temos casos comprovados de justiça com as próprias mãos, o que é uma decisão incorreta, pois a polícia descobre e a pessoa vai presa, não valendo a pena agir por conta própria, assinalou. O assassinato do vendedor de produtos de informática Rodolfo da Silva, de 23 anos, no final de fevereiro, ilustra a situação. Dois anos antes, ele matou um jovem no Jardim Leblon e chegou a ficar preso. Na semana em que foi morto, ele foi julgado e condenado a sete anos. Aguardava a apelação em liberdade. Dias após o crime, policiais da DHPP descobriram que o assassinato de Rodolfo tinha conexão com o homicídio praticado pela vítima. Um parente do rapaz morto por Rodolfo encomendou a morte do vendedor. Adiantou? Não adiantou, completou um policial da DHPP. Em fevereiro, um adolescente de 16 anos foi executado a tiros no momento em que negociava por telefone a extorsão de uma motocicleta. Ligava para o próprio dono no momento em que foi executado, segurando o fone de um orelhão. O assassinato ocorreu no Jardim Paula II, em Várzea Grande. Outra situação é a execução de viciados em drogas. Alguns tinham passagens pela polícia e outros não. Estes últimos fazem parte de um grupo que pratica pequenos furtos nas casas do bairro onde residem para sustentar o vício. As vítimas, diante da insignificância dos produtos furtados, não registram queixam. E, com isso, os ladrões nunca são presos porque não há boletim de ocorrência.