POLÍCIA
Sábado, 08 de Agosto de 2009, 12h:30
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Meninas se iludem com ofertas feitas por abusadores locais
Eles iludem a gente. Falam que vão dar dinheiro, comida, roupa, calçado. Ainda falam que se o pai não deixar a gente voltar pra casa, eles sustentam a gente depois, conta A.P.N., de 16 anos, sobre a abordagem dos homens que procuram as menores em busca de programas sexuais. A menor, ainda bastante franzina, nega já ter saído com algum homem da região por dinheiro. Por medo do Conselho Tutelar e dos próprios aliciadores, negar a prática é algo comum entre as adolescentes. Contudo, elas sempre conhecem alguma amiga que já se prostituiu ou ainda o faz. Os aliciadores geralmente são homens com idade superior a 30 anos e com certa estabilidade financeira. Meninas como A.P.N. se tornam presas fáceis diante das circunstâncias, contudo, ela afirma ter escolhido um destino diferente. Com roupas largas para a sua estrutura corporal franzina, na porta da casa de madeira, a menina conta que vive com o irmão de 28 anos por não ser bem-vinda pelo pai. Trabalho de doméstica, ganho R$ 200 por mês, aí com R$ 50 eu ajudo meu irmão. Com os R$ 150 que restam, a menina sobrevive. Tive que parar de estudar há dois anos para poder trabalhar, porque meu pai não deixava minha mãe comprar nada para mim. Eu precisava de roupa, de sapato. Agora, sem estudar, eu consigo trabalhar. Um mês eu compro uma calça, no outro, uma sandália, e assim eu vou comprando as minhas coisinhas. Enquanto sofrem o assédio sexual fora de casa pelas ruas, dentro dela, meninas como A.P.N. precisam lidar com outro problema, o abuso sexual, geralmente realizado por padrastos, e muitas vezes pelos próprios pais biológicos. Meu pai nunca fez nada comigo, mas tentou fazer com a minha irmã quando ela tinha sete anos. Aí meu irmão viu e minha mãe chamou a polícia. Depois, meu pai foi solto e a gente voltou a morar com ele, conta, como quem está habituada a ouvir histórias semelhantes. Quem não tem alternativa para deixar o lar, acaba se casando. A presidente do Conselho Tutelar de Marcelândia, Maria da Penha Matias, afirma que é comum na cidade encontrar garotas de 13 anos já amigadas. Está muito pesada a situação da cidade, apesar de ter melhorado com a atuação do juiz e do delegado, lamenta. (KR)