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Cuiabá MT, Segunda-feira, 15 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 18 de Abril de 2009, 12h:51

VIOLÊNCIA

Jovens abastados se perdem no crime

Casos recentes de rapazes de classe média-alta presos por assalto e tráfico reacendem o debate sobre os limites dentro de casa

KEITY ROMA
Da Reportagem
O envolvimento de jovens de classe média-alta com o crime intriga a sociedade sempre que um caso vem à tona. A falta de oportunidades deixa de figurar entre as motivações da ação delinquente e cede espaço para a falta de limites, fruto de uma educação permissiva e carente de ética. Imaturos e inconsequentes, estes ‘bem-nascidos’ se veem perdidos quando seus planos fracassam e são obrigados a trocar uma vida de luxo por uma cela prisional. A recente detenção de jovens de famílias abastadas de Cuiabá na semana passada como integrantes de uma quadrilha acusada de promover assaltos vultosos a caixas-eletrônicos e cofres de bancos na Capital chocou a cidade após a constatação de que um dos presos era Roberto Gonçalves Peron, de 24 anos, filho do empresário Roberto Peron. Também foram detidos os irmãos Rodrigo e Rodolfo da Costa Silva, donos de um lava-jato na avenida Presidente Marques, área nobre da cidade. Até sexta-feira todos permaneciam em unidades prisionais de Cuiabá. Poucos dias se passaram do fato e outro caso semelhante surgiu terça-feira. O funcionário da Assembleia Legislativa, onde atua como assessor parlamentar, Carlos Volcov Júnior, de 25 anos, foi preso em flagrante durante uma tentativa de assalto a uma lotérica no bairro Santa Helena, que estava fechada. “Os pais estão enfraquecidos. A sociedade forma pessoas cada vez mais gananciosas e menos ambiciosas. A ganância é destrutiva porque só leva em conta o benefício próprio imediato e sem esforço. Esses jovens da alta sociedade que se envolvem em crimes não o fazem somente pelo dinheiro, mas pelo prazer de elaborar um plano e executá-lo. Querem poder e reconhecimento para preencher um vazio de realizações que possuem por ter tudo o que querem”, explica a psicóloga Ireniza Canavarros. O perfil agressivo e egoísta se potencializa com as drogas. Associado à ilusão da vantagem fácil, eles ainda encontram forças para levar os planos criminosos adiante com a sensação de que estão imunes ao perigo e à punição. Não raro, cresceram sem imposição de limites e castigos, criados por pais que acobertavam os pequenos delitos. Porém, contar com a impunidade pode ser uma estratégia sem sucesso. Vindo de uma família influente no Estado, o ex-coordenador de Ciretrans do Detran de Mato Grosso, Jefferson Cerqueira, de 28 anos, sofre para se adaptar à vida precária na Casa de Custódia de Viana, município da Grande Vitória (ES), que concentra alguns dos piores presídios do país. Acostumado com carros de luxo, hotéis caros e roupas de grife que a família podia lhe proporcionar, ele agora responde a processo por tráfico de drogas desde que foi preso em flagrante no Espírito Santo em dezembro de 2008, com 10 quilos de pasta-base de cocaína em uma caminhonete Cherokee blindada. O entorpecente foi adquirido na Bolívia e seria entregue a traficantes locais. Quinze dias após a prisão, Jefferson contraiu sarna na primeira unidade prisional pela qual passou. “Os policiais que o retiraram da unidade e o encaminharam para o presídio disseram que ele cheirava muito mal, por falta de banho nas condições precárias da prisão. É de conhecimento que, acostumado com a vida boa, o rapaz está enfrentando uma dura realidade”, revela o delegado de Polícia Civil que realizou a prisão de Cerqueira, Diego Yamashita. Na época da prisão, Cerqueira teria dito seu sobrenome e que telefonaria para políticos de Mato Grosso na tentativa de ser liberado, diz o delegado. Jefferson já havia sido preso em outra ocasião em MT por organizar desmanche de carros roubados em 2007. No Detran, ele ocupou o cargo de coordenação em 2003.

Edição EDIÇÃO 16962




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