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POLÍCIA
Quarta-feira, 04 de Novembro de 2015, 20h:35

MORTE DE CASAL

Jovem assume latrocínio via Facebook

Em tom de causar revolta e revirar o estômago, num português de doer, Aline Macedo, 19, usou a rede social para fazer confissão

RODIVALDO RIBEIRO
Da Reportagem
Morena, bonita, sorridente, comunicativa, apenas 19 anos, fã de mídias sociais digitais como o Facebook. Esse seria o perfil de uma garota pronta a ter um futuro glorioso e a provavelmente pronta a liderar, caso quisesse estudar, empresas ou ser bem-sucedida na profissão que escolhesse. Mas não, esse é o perfil de Aline Macedo, a assassina confessa do casal Claudemilson Ferreira, de 41 anos, e Alessandra Sheffer, 23, numa manhã de quarta-feira, ao lado uma estrada vicinal, em Juara (664 quilômetros a noroeste de Cuiabá). Pra piorar, ela fez essa confissão em tom de deboche em sua página pessoal no mesmo Facebook. Em tom de causar revolta e revirar o estômago, num português de doer os olhos e os ouvidos, ela descreve a ação que destruiu a vida de dois seres humanos e suas famílias próximo à rodovia MT-325/220 há menos de um mês, no dia 14 de outubro, data em que ela –– na companhia de dois menores de idade, de 17 e 13 anos –– planejou e executou o assalto ao casal para levar-lhes a Chevrolet S10 que o trio não teve competência para dirigir. Os três bateram em uma curva e capotaram. Isso depois de já ter executado o casal, a sangue-frio, com evidências de tortura (os dois estavam amarrados, Alessandra trazia uma fronha no rosto). Aline Macedo descreve o que fez naquela manhã (todos os erros do texto são do original, só foi arrumado o que dificultava o entendimento), começa fazendo uma espécie de autoanálise criminosa, sabendo que estava produzindo provas contra si ao confessar o erro: “Sei que estou cometendo a maior burrada postando isso! Mais (sic) tudo bem, vamo la (sic)! Quero deixa aqui umas palavra(sic)! Bom sei que o q fiz não foi certo! Mais infelizmente aconteceu! Não posso muda o passado! Agora vou procurar me intender com a lei! Não vou viver fugindo... e vou pagar pelo que fiz!”. Entretanto, rapidamente o tom que trazia certa conscientização do mal que havia feito desaparece e começa o ar arrogante. “E que fique bem claro que apenas estava junto e sim fui eu mesmo que planejei o assalto! Infelizmente o homem reagil e um dos menores atirou nele! E o outro mato a mulher! Aí pegamos a camionete e seguimos até Sinop Mais ai a gente teve a estupidez de capotar a camionete! Vocês devem estar se perguntando onde eu estou neh? Sabe onde eu to? Na cidade do vai cuida da sua vida No bairro vai se fudê na rua Cala a boca e me deixa em paz! Capito a msg ZÉ POVIM????”, tentou escrever. E encerra debochando de todo mundo que não é criminoso. Confusa, fala em Deus mas dá recados em gírias comuns à bandidagem. “E outra quando passa na televisão pra vocês não reajirem a um assalto NAO REAJAO!!! Pocha cara vcs nao sao super herois nao! Peço perdao a Deus pelo que fiz! Mais infelizmente é a vida! Mais intão Deixo aki um abraço Pros verdadeiros que realmente andaram lado a lado! Óh só que vcs lembrem de mim pelo meu lado bom! A q brinca atenta e treta por qualquer coisa! Os que convivero cmg tlg duq to falando! Fica Na Fé FAMÍLIA! Que eu ja to indo!!!”, encerrou, no português típico da tal Geração Y, a mesma que diz fazer várias coisas ao mesmo tempo, mesmo sem entender nenhuma a fundo, que não termina nunca nenhuma tarefa e por isso mesmo entende tudo pela metade, como descreve Sidnei Oliveira, em seu “Conectados Mas Muito Distraídos” (Integrare Editora). “Na prática, o que eu vejo são muitos jovens imediatistas, com essa vontade de dar certo rápido e que, por isso, decidem buscar atalhos”, diz Oliveira. Mais ou menos como parece ser o caso de Aline Macedo.

Edição EDIÇÃO 16967




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