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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 28 de Abril de 2012, 14h:34

VÁRZEA GRANDE

Homem é preso por causa de relíquia

JARDEL PATRÍCIO ARRUDA
Da Reportagem
Guardar uma munição do fuzil e do revólver regulamentar após servir o Exército é um costume antigo, visto com naturalidade por veteranos de outrora. Contudo, hoje, esse costume foi responsável por uma prisão cujo poder de arbitrar fiança não cabe a um delegado, mas somente a um juiz. Arlindo da Costa Santos, 39, foi preso na noite de sexta-feira, após a polícia encontrar uma cápsula calibre 38 e outra de calibre 7.62 em um baú onde ficavam guardadas recordações. Recordações do pai de Arlindo. “Eu até falei que essas balas são minhas, de quando eu servi o quartel, mas os policiais não me ouviram”, afirmou Cláudio Bispo dos Santos, pai de Arlindo, que mora na mesma casa. “Mas é tudo muito velho, tem mais de cinqüenta anos”, completou. Cláudio conta ter servido ao Exército entre os anos de 1955 e 1961. Quando deixou de prestar serviços às Forças Armadas, ele fez o mesmo que muitos de seus colegas de farda da época: levou consigo uma cápsula de munição das armas que o acompanharam durante o serviço militar. Uma lembrança. Contudo, a recordação acabou custando a liberdade de Arlindo. Ele é dono de um bar no bairro Água Vermelha, em Várzea Grande, que funciona no pátio da residência. Em frente mora um suposto traficante e, em geral, os clientes do criminoso freqüentam o estabelecimento do outro lado da rua. Isso foi o suficiente para os olhos da policia se voltarem para lá também. Dessa forma, a casa de Arlindo foi alvo de um mandado de busca e apreensão que visava encontrar entorpecentes e armas. Nenhuma droga ou arma foi localizada, mas as munições foram o suficiente. “Não acharam nada de droga, nem de arma. Reviraram tudo, deixaram um bagunça. Levaram até a TV que ele (Arlindo) ganhou em uma premiação, porque não encontraram a nota fiscal”, contou Joanilda Santos do Prado, sobrinha de Arlindo. Para ela, o tio é uma vítima do acaso. “Ele não usa e nem mexe com drogas. Nossa família nunca teve esses problemas. Ele nem fuma. Mas o pessoal que usa fica aí na frente, na esquina, e vem ao bar”, explicou. O advogado de Arlindo, Lauro Gonçalo da Costa, afirmou que ainda hoje entrará com pedido de liberdade do cliente. Segundo ele, em virtude da munição calibre 7.62 ser de uma arma de uso restrito das Forças Armadas, somente um juiz pode arbitrar fiança. “Caso contrário ele teria pagado uma fiança no valor de um salário mínimo e estaria em liberdade”.

Edição EDIÇÃO 16967




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