POLÍCIA
Quinta-feira, 25 de Março de 2010, 23h:03
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Fala de Delfino desconcerta defesa e acusação
O depoimento do assassino confesso de Kaytto, Edson Alves Delfino, foi desconcertante para as teses da acusação e da própria defesa ontem, no Tribunal do Júri. Ao mesmo tempo em que contrariou a alegação da Promotoria, de que todo o crime havia sido premeditado, Delfino demonstrou ter tido total consciência de seus atos quando, após o abuso sexual, asfixiou Kaytto até a morte. Por tudo isso, afirmou também sentir remorso, sentimento inexistente na figura de sociopata que a defesa tentou atribuir-lhe. Delfino alegou que, antes do dia 13 de abril de 2009, esteve poucas vezes na companhia de Kaytto. Ele trabalhou como servente de pedreiro no condomínio da família, no Residencial Paiaguás, e como pintor no escritório de Jorgemar, pai da vítima. Relatou que chegou inclusive a almoçar na casa da família, mas ainda assim esteve poucas vezes com Kaytto, de quem desconhecia o hábito de tomar ônibus para ir à escola em alguns dias da semana e por quem a atração sexual não foi imediata. Com base nesses fatos corroborados pelo depoimento do próprio Jorgemar Delfino afirmou que não planejou qualquer coisa. Eu não fiz nada premeditado, doutora, repetiu Delfino à juíza Mônica Catarina Perri, desfavorecendo a acusação da Promotoria de que, sem qualquer traço de insanidade mental, o assassino teria planejara tudo. Ele chegou a negar a informação fornecida por um padeiro do Residencial Paiaguás de que ficava, todo dia, observando o ponto de ônibus frequentado por Kaytto e onde o garoto seria abordado. Disse que só pensou em estuprar o garoto quando ele aceitou a carona oferecida; foi uma pulsão que veio do nada, disse. Por outro lado, Delfino acabou contrariando também a própria defesa ao explicar que, após abusar sexualmente de Kaytto, matou-o porque se viu ameaçado - o garoto insistiu que iria denunciá-lo ao pai - e não por algum ímpeto assassino decorrente de transtorno mental. Para a acusação, isto é prova da existência de perfeita auto-determinação na consciência de Delfino; o promotor João Augusto Veras Gadelha inclusive comparou tal situação à de um assaltante que, vendo sua vítima reagir, tira-lhe a vida. Ele tem a plena capacidade de entender e de auto-determinar-se. Ele não é obstinado a matar. Ele mata dependendo da situação, argumentou Gadelha. AJUDA Mesmo tendo dado motivos para afastar a tese de insanidade mental, Delfino, ao final de seu depoimento, voltou a pedir ajuda para se livrar de sua condição transtornada; ele já havia apelado da mesma forma em entrevista ao Diário no ano passado. Me vejo como um monstro, um fora-de-si, afirmou, mencionando que precisa ser acompanhado psicologicamente ou até mesmo internado em alguma instituição adequada para se curar. E voltou a relatar um histórico de abuso sofrido. (RD)