POLÍCIA
Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010, 02h:03
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CASO EIKO
Exame desvendaria 80% do assassinato
Informação é do delegado da DHPP que investiga morte da estudante e caracterizou erro no exame de DNA como grosseiro. Ainda suscitou manipulação
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O delegado Márcio Pieroni, titular da Delegacia de Homicídios, revelou ontem que o laudo de comparação de DNA dos fios de cabelo encontrados num Renault com material genético da estudante Eiko Uemura, caso estivesse correto, deixaria 80% do caso resolvido. Dos três dentes da estudante envidados para laboratório para fazer o confronto com os cabelos, dois foram constatados como de pessoa do sexo masculino. Um voltou sem ser utilizado. O erro, como caracterizou o delegado, é motivo para que Pieroni acredite que tenha havido manipulação. Foi um erro grosseiro, que me leva a crer que houve manipulação foram as palavras do delegado à imprensa. Além disso, ainda disse acreditar que será praticamente impossível chegar aos criminosos diante da confusão. Até agora, as investigações apontam para três envolvidos, entre executores e mandantes. Eiko foi encontrada morta no dia 29 de abril do ano passado no despenhadeiro do Portão do Inferno, na rodovia para Chapada dos Guimarães. A princípio, o crime foi investigado como suicídio, mas um novo laudo de necropsia assinado pelo médico legista Jorge Caramuru comprovou que ela foi morta e jogada do penhasco de cerca de 75 metros. Segundo o delegado, o laudo é especial e não poderia vir de forma incorreta. O erro foi detectado pelo próprio delegado ao observar que os cromossomos analisados mostravam XX (masculinos) e não XY. Ao perceber o problema, alertou o perito e solicitou novo exame. Pieroni explicou que os 13 fios de cabelo não foram coletados de forma aleatória. Estavam no automóvel de um dos três suspeitos que mora em Cuiabá, mas possui família em Rio Branco (AC). Tivemos equipe no Acre, Nortão do Estado, em Campo Grande (MS) e chegamos até o carro que poderia ter levado a estudante até o Portão do Inferno, frisou. Ao localizar o Renault, os policiais pediram ajuda para a Polícia Federal de Rio Branco, que coletou um fio de cabelo longo que se quebrou na fechadura do porta-malas do carro. Havia fios também na parede do carro, na fechadura do porta-malas. Convenhamos, no porta-malas seria um local incomum para se achar fios de cabelos, ponderou o delegado. No entendimento de policiais que trabalham na investigação, trata-se de um trabalho perdido, pois havia a informação certeira de que Eiko foi transportada no porta-malas daquele carro. O laudo positivo era a prova cabal para concluir as investigações. Pieroni lembrou que, se no próximo exame o resultado for positivo, a defesa poderá contestar da mesma forma. Até agora, as investigações chegam a 1.000 páginas distribuídas em sete volumes do inquérito. O laudo estava sendo aguardado para os dois meses seguintes após o envio do material para Maceió, mas só chegou seis meses depois. Com o erro, o delegado disse que as chances de se chegar aos criminosos passam a ser mínimas.