POLÍCIA
Quinta-feira, 05 de Junho de 2008, 20h:47
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DECAP
Ex-inspetor de menor preso por extorsão
Elifran Silva é acusado de tirar dinheiro de empresários aos quais agenciava garotas para programas e, depois, os fazia refém para pagar resgate
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Policiais da Delegacia de Vigilância e Capturas (Decap) prenderam anteontem o ex-inspetor de menores Elifran da Silva e Silva, de 28 anos, que está com a prisão preventiva decretada pela comarca de Várzea Grande. Ele foi condenado a nove anos e quatro meses de prisão pelo crime de extorsão. Em março de 2006, ele chegou a ser preso sob acusação de extorquir empresários que levavam adolescentes para motéis. Meses depois, conseguiu ficar em liberdade. Além dele, mais duas pessoas foram condenadas pelo crime. A quadrilha usava as garotas como isca. Na saída do motel, os empresários eram rendidos e levados para uma espécie de cativeiro. Lá, eram obrigados a pagar o resgate. Caso contrário, a família iria saber que ele estava saindo com prostitutas adolescentes. Para intimidar as vítimas, os três se passavam por policiais civis. Mas, na verdade, trabalhavam no Poder Judiciário, na função de inspetores de menores do Juizado da Vara da Infância e Juventude de Cuiabá. Na época, apenas uma vítima registrou queixa. Trata-se de um empresário que, para ser libertado, teve que pagar R$ 10 mil. De início, o bando queria R$ 100 mil, mas aceitou reduzir o valor. A quadrilha ainda algemava as vítimas, explicou um policial que participou das investigações. O fato ocorreu em março de 2006. Na época, o empresário estava no motel com uma adolescente, na região do Posto Zero. Na saída, acabou rendido pelo bando e levado até uma casa. Para se livrar dos bandidos, negociou o pagamento de R$ 10 mil em parcelas. Entregou R$ 1.600 em dinheiro e dois cheques: um no valor de R$ 4.400 e outro, de R$ 4.500. Este último, depositado na conta corrente da namorada de Elifran. O primeiro cheque acabou numa factoring. No dia seguinte, o empresário registrou queixa na Corregedoria Geral da Polícia Civil. Até então, a vítima acreditava estar diante de policiais civis, mas descobriu que se tratava de inspetores de menores, um cargo extinto com a criação dos Conselhos Tutelas da Criança. Elifran foi preso no bairro Santa Rosa, no momento em que chegava a casa de sua sogra. Indiciado há dois anos pelo crime, ele respondia em liberdade o processo na comarca de Várzea Grande. Como ele poderá cumprir apenas um sexto da pena, após um ano e meio, poderá solicitar progressão de pena e ser beneficiado pelo regime semi-aberto.