POLÍCIA
Terça-feira, 23 de Junho de 2015, 21h:33
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MORTE DE GARI
Estudante confessa atropelamento
A estudante de arquitetura cuiabana Hivena Queiroz Vieira, 24, confessou em depoimento nesta terça-feira (23) ter sim atropelado e matado o gari Alceu Ferraz, 61, no cruzamento entre as avenidas São João e Duque de Caxias, no centro velho de São Paulo. Hivena cometeu o crime de trânsito no dia 16 de maio. Por ele, agora vai responder a um inquérito e indiciamento por quatro infrações ao código penal -- homicídio culposo (quando não há intenção de matar), lesão corporal, omissão de socorro e fuga do local do acidente. Além de Alceu Ferraz, o Peugeot de Hivena atropelou outro gari, que também ficou seriamente ferido mas sobreviveu. Inicialmente, a versão da estudante moradora de Moema, zona sul da capital paulista, era de que havia sofrido uma tentativa de assalto e, desnorteada, tentou escapar pela contramão a alguns metros do acidente, já na Praça da República. Acontece que imagens de câmeras de segurança mostram o carro dela já com o para-brisa danificado no momento em que ela tenta entrar na contramão na República. Por meio de uma denúncia anônima, a PM de São Paulo chegou ao Peugeot de Hivena parado no prédio em Moema onde ela mora. O caso foi mostrado pela Rede Globo, no jornal matutino SPTV, e na Rede Record, no programa Domingo Espetacular. Ontem, a estudante de arquitetura compareceu à delegacia para tentar expor a versão dela sobre o ocorrido naquela fatídica noite. Disse à polícia civil paulista que tinha saído de uma festa na casa de uma amiga de faculdade, em Higienópolis, porém no caminho pra casa entrou na Avenida São João, mal iluminada e algo lúgubre, teria ficado com medo de ser assaltada e por isso resolveu acelerar seu carro. Assim que chegou em casa, Hivena teria ligado para a Polícia Militar e por eles foi orientada a procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência, registrado cerca de duas horas depois do atropelamento. Nele, já havia a versão de que teria sofrido uma tentativa de assalto. Disse, literalmente que foi surpreendida por três indivíduos que usavam,provavelmente, um carrinho de supermercado, foi o motivo dela ter disparado com o carro, atingindo algo ou alguém. Chegou à delegacia junto com o pai e o advogado, de táxi. Foi ouvida por duas horas. É fato que houve um atropelamento. Você, consciente, percebe se atropelou alguém ou algo ou bateu em alguma coisa, disse o delegado Araribóia Fusita Tavares ao jornal SPTV. Por isso que eu digo para vocês: existem muitas contradições. Advogado de Hivena, Artur Osti contesta o delegado Tavares. Não houve omissão. Ela prestou todos os esclarecimentos, jamais se furtou de noticiar nada às autoridades e continua totalmente à disposição para apuração de qualquer responsabilidade, garante o defensor. O delegado voltou a dizer ontem que agora vai pedir a quebra do sigilo telefônico para saber com quem a estudante teria falado depois do atropelamento, além de ouvir testemunhas que estavam na mesma festa em Higienópolis na noite do acidente. (RR)