POLÍCIA
Quinta-feira, 19 de Maio de 2011, 20h:56
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INVESTIGAÇÃO
Delegado federal é preso após atirar
Tiro provocou ferimento em estudante na madrugada de ontem, após vítima e acusado saírem de boates nas proximidades da Getúlio Vargas
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O delegado federal Bráulio do Carmo Vieira de Melo foi preso ontem de madrugada após sacar sua pistola 9mm e atirar no estacionamento em frente a uma boate da avenida Getúlio Vargas, em Cuiabá. O disparo atingiu de raspão um estudante de 24 anos que abria a porta do seu automóvel, um Astra preto. O tiro chamou a atenção de populares, que acionaram a Polícia Militar. Homens em uma viatura que passava pelo local acabaram detendo o delegado, que aparentava estar embriagado. Os policiais o revistaram e apreenderam a pistola 9mm. Até então, não sabiam que o policial federal tinha atingido alguém. O delegado estava acompanhado de um agente federal, que serviu de testemunha. A alguns metros dali, os policiais depararam-se com o estudante, que percebeu ter sido atingido por estilhaços. Um carro do Samu chegou a ser acionado, mas não foi necessário medicá-lo. O estudante relatou que saiu da boate próxima à praça Santos Dumont em companhia da namorada e um amigo. Assim que foi abrir o Astra preto para ir embora, deparou-se com o delegado federal. Ele (o delegado) deve ter falado algo e atirou em seguida. Ninguém imaginava aquilo, explicou o estudante, que morava em Brasília e se mudou recentemente para Cuiabá. O estudante acrescentou que saiu da boate direto para o carro e o delegado teria saído de uma casa noturna localizada num outro quarteirão. A polícia não soube informar se o automóvel do delegado estava nas proximidades. De lá, o delegado federal foi levado até o Plantão Metropolitano, que funciona na Delegacia do Planalto, para ser autuado em flagrante por três crimes: tentativa de homicídio, desacato e ameaça, de acordo com o boletim de ocorrência. O delegado plantonista Jeferson Dias Chaves entendeu que os indícios apontam para outro crime lesão corporal por arma de fogo, além do desacato e ameaça. Temos que analisar a intenção de quem atirou. Além disso, a vítima foi atingida por estilhaços, que causaram lesão, informou. O crime é inafiançável. Conforme os militares, o delegado federal os desacatou dizendo palavras de baixa calão e que todos se ferrariam, caso o prendessem. Os policiais não se intimidaram e o levaram para o Plantão Metropolitano. Tanto os PMs como o estudante não conseguiam entender o motivo do delegado federal ter atirado, pois a vítima garantiu que não o conhecia e tampouco o encontrou e teve atritos dentro da boate da qual saía. Desde a detenção, a Corregedoria da Polícia Federal foi informada do ocorrido. Um corregedor está acompanhando o caso.