POLÍCIA
Terça-feira, 23 de Setembro de 2008, 20h:49
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POLÍCIA CIVIL
Delegado é investigado por caso de ameaça
Responsável pela delegacia de Tapurah, no Nortão, Marcelo Torhacs será alvo de apuração da Corregedoria por possível coação de um depoente em inquérito
A Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso deve iniciar, nos próximos dias, verificação preliminar de um suposto caso de ameaça por parte de um delegado a um depoente na cidade de Tapurah (a 433 quilômetros ao norte de Cuiabá). O borracheiro Antônio Luiz Lopes Rodrigues, conhecido como Ligeirinho, acusa o delegado Marcelo Martins Torhacs de tê-lo ameaçado, caso ele não assumisse conhecer as ligações de dois sujeitos com o tráfico de drogas. Torhacs nega. O corregedor auxiliar da Polícia Civil, Carlos Fernando da Cunha Costa, recebeu a denúncia na manhã de ontem e informa que ainda há a necessidade de verificar se este é realmente um caso de ameaça ou abuso de autoridade. Consta na declaração de Ligeirinho que o delegado queria saber se havia relação entre ele e dois suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas na cidade, Edson Camilo de Sousa e Joaquim Pereira da Silva. Após Ligeirinho negar conhecer os negócios criminosos dos dois, o delegado teria se exaltado e ameaçado forjar uma situação de flagrante contra o depoente, caso ele não confessasse. A princípio, para o corregedor, este é um caso incomum. O sujeito tem que ser muito burro para fazer esse tipo de ameaça, desconfia, justificando que Torhacs é um delegado jovem, ainda não corrompido. Porém, mesmo sendo suspeito de ligação com o tráfico em quatro inquéritos criminais da Polícia Civil de Tapurah, Ligeirinho tem o direito de ser tratado como qualquer outro depoente e a denúncia será investigada assim que estiverem disponíveis os recursos para a ida do corregedor, e alguns policiais, a Tapurah. Edson Camilo de Sousa, de apelido Negão, é dono de uma boate na cidade e está preso em Lucas do Rio Verde (a cerca de 100 quilômetros de Tapurah). No momento de sua prisão, ainda este mês, na casa de Joaquim, foram encontradas ligações de seu celular para o número de Ligeirinho. Na casa, que funcionava como um ponto de distribuição de drogas, também foram encontradas uma motocicleta financiada e anotações no nome de Ligeirinho. Porém, o advogado de Negão, Waldir Caldas, nega que seu cliente tenha relações criminosas com Ligeirinho, que seria apenas um borracheiro na cidade. Torhacs discorda e nega qualquer coação no depoimento de Ligeirinho. Para ele, os indícios são suficientes para afirmar que o depoente possui efetivamente ligações com Negão, cujo advogado estaria cobrando a divulgação na imprensa da denúncia contra ele na Corregedoria da Polícia Civil. Ligeirinho diz que veio para Cuiabá fazer a denúncia com a consciência limpa, mas teme permanecer em Tapurah e quer ir embora da cidade, onde vive há 20 anos.