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POLÍCIA
Sábado, 13 de Agosto de 2005, 14h:24

SISTEMA PRISIONAL

Celular dá sobrevida a bandido preso

Ações orquestradas atrás das grades subvertem lógica segundo a qual prisão impede o cometimento de crimes

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Assaltos a bancos, assassinatos, invasão de cadeia em cidades do interior, tráfico de drogas, de armas e roubo de picapes. É de se esperar que a prisão de um bandido seja capaz de impedir sua participação em crimes como os mencionados acima. Mas nos presídios de Mato Grosso, essa lógica está subvertida. Mesmo atrás das grades, o crime organizado não encontra dificuldades para falar com seus cúmplices do lado de fora e combinar as ações criminosas, algumas delas bastante ousadas. De janeiro a julho deste ano, 110 telefones celulares, 40 baterias e 103 carregadores foram apreendidos durante revistas somente nas unidades prisionais da capital. A polícia admite que parte estava a serviço de ações criminosas. Para acabar com a farra, a Secretaria Adjunta de Justiça de Mato Grosso começa a agir, mas não tem planos para instalar um bloqueador de celulares. Numa primeira etapa está planejada a instalação de um circuito fechado de televisão. O secretário adjunto de Justiça Sebastião Ribeiro da Silva Filho explica que numa segunda etapa haverá a instalação de um equipamento de raios-x idêntico aos usados nos aeroportos. “Bloqueador de celulares é um passo mais adiante”, assegura. Na lista dos crimes comprovadamente planejados de dentro dos presídios, a polícia descobriu que o assalto à agência da Caixa Econômica Federal, em julho deste ano, foi planejado por um preso da Penitenciária de Pascoal Ramos. Um telefone celular apreendido com o assaltante Fausto Fernandes Durgo Filho aponta que ele planejou o assalto, que teve a participação de 12 homens. Fausto é investigado no roubo à loja da Vivo, em que foram roubados 1.270 celulares, o que lhe rendeu cerca de R$ 500 mil. Por falta de estrutura técnica, a polícia não conseguiu reunir provas de sua participação. Em março deste ano, a Polícia Civil desarticulou um esquema de roubo de picapes que eram levadas para a Bolívia. Da Penitenciária Regional de Mata Grande, o estelionatário Emanuel Roni Santos da Costa coordenava o esquema. De sua cela, usando um telefone celular, Emanuel ligava para um receptador oferecendo uma picape roubada. Ao acertar o preço e o local da entrega, ligava para ladrões de carros, a quem encomendava o veículo, que seria entregue para um intermediário. Este, então, levava ao receptador. ASSASSINATOS - Assassinatos fazem parte do catálogo do crime organizado encomendado por celular. Da cadeia pública do Carumbé, o assassinato do sargento Nilson Ferreira Batista da Costa, em maio deste ano, comprova a suspeita. Para a Polícia, com um celular, o ex-soldado Alessandro Neves da Silva ligou para a amante, Andréia Queiroz, avisando que dois rapazes iriam executar Nilson. Na semana passada, outro crime planejado pelo mesmo ex-militar. A Cadeia Pública de Poconé (cidade localizada a 100 quilômetros de Cuiabá) foi invadida por cinco rapazes para libertar um preso. Na invasão, assassinaram a tiros o policial civil Joaquim da Costa Magalhães, de 50 anos. Embora a Polícia saiba do uso de celulares por traficantes, ainda não foi comprovada a ação desses bandidos de dentro dos presídios. “Temos traficantes fortes presos nas cadeias da capital. Não seria impossível eles estarem comandando o tráfico através de um celular”, disse um policial da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Edição edição 16957




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