O telefone celular mudou a vida dos detentos e ainda dá mais fôlego ao crime organizado. Com o aparelho, traficantes mesmo atrás das grades - compram e vendem drogas, planejam assaltos a estabelecimentos comerciais e casas na Grande Cuiabá. Ainda fornecem celulares para os demais presos que mantém contato diário com familiares em qualquer lugar do Estado. E para manter as linhas pré-pagas em funcionamento, precisam abastecê-los. Segundo o padrasto de um detento da Penitenciária Regional de Pascoal Ramos, os parentes dos presos também precisam colaborar comprando crédito para celulares, pois os golpes não são suficientes. Quando falava com meu enteado, ele me passava o valor do cartão, a operadora e o número para inserir os créditos, explicou. O padrasto destacou que é bom nem pensar em desobedecer as ordens emanadas dos chefões dos presídios. As represálias são fortes. Então, é melhor comprar o que mandam, frisou. A polícia calcula que centenas de celulares circulam livremente entre os detentos das unidades prisionais do Estado. No primeiro semestre deste ano, o Sistema Prisional de Mato Grosso apreendeu 395 celulares nos presídios e cadeias do Estado, sendo a maior parte nas unidades prisionais da Grande Cuiabá Central, Carumbé e Várzea Grande. O total equivale a duas apreensões diárias. Para o secretário-adjunto de Justiça e Segurança Pública, coronel Zaqueu Barbosa, o número alto de apreensões ocorreu porque foram intensificadas as revistas em todos os presídios, inclusive no feminino. Isso demonstra que existem muito mais celulares com os presos. Para acabar com a entrada desses aparelhos nos presídios, somente os detectores de metal resolveriam, assegurou. Segundo Zaqueu, existe um detector portátil sendo testado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen) que poderá ser disponibilizado em breve a todos os estados. (AR)