POLÍCIA
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:30
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CORRUPÇÃO
Agente é investigada em roubo de carro
Corregedoria da Polícia Civil apura ligação da investigadora Sandra Inês em esquema de recuperação de veículo roubado mediante pagamento
A Corregedoria da Polícia Civil investiga um possível caso de envolvimento de uma policial com esquemas de roubo de veículos com pedidos de resgate em Várzea Grande. Uma policial de nome Sandra Inês, atualmente de licença, é acusada de cobrar pelo serviço de encontrar, recuperar e devolver veículo roubado ao dono, segundo consta na denúncia que motivou a abertura de inquérito contra ela. Conforme o documento, a policial teria cobrado R$ 2 mil pelo carro e pelos pertences dentro dele. A denúncia partiu do consultor de tecnologia de informação Darwin Assunção Pires Ribeiro, de 56 anos, que teve o carro um Palio branco modelo 2003 roubado na noite de 26 de março. Segundo depoimento à Corregedoria, ele estava com amigos num bar em Várzea Grande quando três homens armados os agrediram e levaram o carro. Para Darwin, sua história é um caso que aparentemente consiste em mais um crime, mas que desvenda um verdadeiro ninho de cobras com polícia e bandidos. A fim de recuperar o carro, a esposa de Darwin telefonou para uma conhecida que sugeriu o contato com a policial Sandra para resolver o problema. Enquanto isso, Darwin foi registrar boletim de ocorrência na delegacia. Quase meia-noite, enquanto ainda estava no caminho de volta para casa, Darwin recebeu a ligação da esposa, informando que o carro já havia sido encontrado e que estava próximo a um posto de gasolina. A esposa mencionou que os dois precisariam providenciar R$ 1 mil para pagar os serviços de Sandra, o que surpreendeu Darwin. Ao encontrar o carro no local indicado, também estava ali Sandra e outra pessoa apontada como seu genro. Para Darwin, ela gesticulava como se contasse dinheiro e dizia não esquece, não esquece. O carro estava recuperado, mas Darwin percebeu que, assim como o pneu de estepe, muitos de seus pertences haviam se perdido smartphone, celular, pendrives, netbook, documentos. Depois, em contato com Sandra para reaver os demais objetos, combinou pagar R$ 1 mil. Ela dizia que era a quantia exigida pelos bandidos, com os quais estava em contato. Uma hora depois Sandra retornou a ligação informando que os bandidos haviam aceitado a quantia. Combinaram a entrega num espetinho em Várzea Grande no mesmo dia. Ali, ela estava com um outro homem e uma moto (filho de criação dela, mas que Darwin cogitou ser um dos assaltantes), cujo bagageiro continha os pertences de Darwin, mas faltavam ainda o instrumento mais importante, o smartphone usado para o trabalho, além de uma calculadora profissional HP e outros. Sandra alegou que os bandidos já haviam feito a partilha, mas que tentaria recuperar o restante depois e não entrou mais em contato. Indignado, Darwin procurou ajuda de advogados e descobriu que o acompanhante de Sandra tem passagem por roubos de moto com pedidos de resgate. A Polícia Civil informou que concluirá em breve o inquérito sobre o caso para aplicar alguma medida administrativa, como afastamento da policial. A reportagem tentou contato com a policial, mas não foi atentida.