POLÍCIA
Sábado, 10 de Novembro de 2012, 14h:16
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VÁRZEA GRANDE
49 mortes a cada 100 mil habitantes
Índice da Cidade Industrial é cinco vezes maior que o recomendado pela OMS, que estima 10 assassinatos para cada grupo de 100 mil como ideal
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Com 250 mil habitantes, Várzea Grande registra taxas de homicídios que a coloca no topo do ranking das cidades mato-grossenses mais violentas, superando Cuiabá que possui o dobro da população. Em 2011, os índices já classificavam a Cidade Industrial, como também é conhecida, como zona epidêmica de assassinatos. Neste ano, a situação piorou ainda mais. Levantamento feito pelo Diário mostra que no ano passado a taxa de homicídios foi de 49 para cada 100 mil habitantes em Várzea Grande. No mesmo ano, a taxa foi de 41,8/100 mil na Capital. Neste ano, se continuar no ritmo que está, a taxa de homicídios na cidade será de 55 para cada 100 mil, enquanto em Cuiabá vai cair para 36,3/100 mil. O índice recomendado como aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 10 assassinatos a cada 100 mil pessoas por ano, número cinco vezes menor que o apresentado na Cidade Industrial. Vale ressaltar que no cálculo da taxa de homicídios são levados em conta apenas assassinatos dolosos, ou seja, com a intenção de matar. Dados da Polícia Judiciária Civil (PJC) mostram que nos primeiros nove meses deste ano os bairros mais violentos foram o Jardim Eldorado, que em números absolutos contabiliza nove assassinatos, seguido do vizinho São Matheus como oito execuções. Em terceiro está o Cristo Rei com seis mortes, seguido do Tarumã e do Colina Verdejantes, ambos com quatro homicídios. Violência que assusta a população e causa prejuízos ao comércio. Moradora da Rua 17, no Bairro São Matheus, em Várzea Grande, Lucélia Godinho, 27 anos, lembra que seu vizinho Ronaldo Carneiro morreu em agosto passado após ter sido atingido por um tiro na cabeça. O crime, segundo a polícia, seria um acerto de contas envolvendo entorpecentes. Boca-de-fumo é o que mais tem aqui. Mas a gente faz a política da boa vizinhança e ninguém mexe, comentou. Mas, quem já esteve na mira de uma arma não se descuida e teme pela vida. Depois de três assaltos e outras três tentativas, Arlete Josefa Flores, proprietária de um pequeno comércio no Jardim Eldorado decidiu colocar uma grade na porta do estabelecimento, que fica trancado. Da última vez, um rapaz chegou e pediu pão. Depois disse que era um assalto e pediu dinheiro. Ele pegou balas, cigarros e saiu subindo em uma moto e fugiu, lembrou. A gente fica com medo. Teme pela vida da gente e da família, acrescentou. A PJC estima que 40% dos crimes estão relacionados às drogas. Neste contexto, destacam-se os crimes passionais que geralmente possuem como estopim o término de um relacionamento. Em 80% dos casos, o principal meio empregado são as armas de fogo. LATROCÍNIOS Em números absolutos, os casos de latrocínios (roubo seguido de morte) registrados em Várzea Grande também superam Cuiabá. Neste ano (até setembro), Várzea Grande registrava 11 latrocínios contra quatro em Cuiabá.