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POLÍCIA
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009, 21h:16

AVIÃO NA FRONTEIRA

30 quilos de cocaína são encontrados

Aeronave caiu em Nova Lacerda há quase 10 dias, matando 3 pessoas;corpos carbonizados serão retirados da floresta e remetidos a IML

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Agentes federais encontraram cerca de 30 quilos de cocaína dentro do avião monomotor de origem boliviana que caiu na região de Nova Lacerda (cerca de 500 km da Capital). Na aeronave, localizada anteontem, foram encontrados três corpos carbonizados, sem quaisquer documentos e ainda não-identificados. Os agentes não souberam precisar se a quantidade de cocaína transportada seria maior ou se parte foi queimada no incêndio. A aeronave é um monomotor, marca Cessna, de bandeira boliviana, sem prefixo. A droga será trazida para a sede da Superintendência da Polícia Federal (PF) de Mato Grosso, em Cuiabá. Segundo a PF, o avião teria caído no dia 2 de maio. Moradores de fazendas da região e índios da etnia Nambikwara perceberam a baixa altitude do avião e logo após avistaram fumaça em meio à floresta. Desde então, as buscas começaram, mas as investigações a respeito da queda estavam em sigilo, uma vez que o fato poderia despertar o interesse de pequenos traficantes, que tentariam localizar o carregamento de drogas. A área, no entanto, é de difícil acesso e a aeronave só foi localizada com a ajuda dos índios. Segundo o comandante da 2ª Companhia da PM em Comodoro, funcionários da fazenda onde o avião caiu entraram em contato com os militares de Nova Lacerda. Os PMs, então, tentaram localizar a aeronave por terra. Como não conseguiram, entraram em contato com o helicóptero da PM e avisaram à PF, num trabalho integrado. A Funai também colaborou com o trabalho de buscas. “A informação nos chegou aqui em Comodoro no dia seguinte, mas a região é de difícil acesso. E não tínhamos exatamente o local onde teria ocorrido a queda. A partir daí, iniciamos uma série de contatos até avisar a PF”, explica o tenente Mário Pereira. O grupo de trabalho da PF já conseguiu abrir uma clareira na floresta na região e inicia os serviços de retirada de corpos e materiais para perícia. Os corpos serão encaminhados ao Instituto Medicina Legal (IML) para identificação. Por se tratar de um avião do narcotráfico, os policiais federais acreditam que dificilmente alguém aparecerá para fazer a identificação das vítimas. No entendimento dos agentes, a queda do avião reforça a suspeita de que os traficantes ainda utilizam com frequência a rota aérea para o transporte de cocaína. “Os traficantes nunca deixaram de usar aviões em direção ao Brasil. Podem ter diminuído as viagens e as quantidades porque uma grande apreensão é um prejuízo maior”, observa um agente. Na região da fronteira, estradas clandestinas, as chamadas “cabriteiras”, são comumente utilizadas pelo tráfico para o transporte de drogas por terra. Recentemente, apreensões também foram feitas em rios, dentro do Estado, em outra artimanha adotada por traficantes.

Edição EDIÇÃO 16967




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