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MUNDO
Segunda-feira, 23 de Abril de 2012, 20h:38

ELEIÇÕES/FRANÇA

Ultradireita é a grande surpresa

O socialista François Hollande conquistou no domingo o primeiro turno da eleição presidencial na França, marcado pelo índice surpreendente de votos conquistados pela candidata da extrema-direita, Marine Le Pen - mais de 18% - segundo as pesquisas. Hollande enfretará Nicolas Sarkozy no segundo turno, em 6 de maio. O socialista deve contar com os votos da esquerda radical e dos ecologistas, enquanto a reserva de votos do atual presidente parece ser menor. Ontem, com quase 99% da apuração, o candidato socialista obteve 28,56% dos votos à frente de Nicolas Sarkozy (27,07%), que perdeu a aposta de levar o primeiro turno, para estabelecer uma nova dinâmica para o segundo. A candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, chega em terceiro lugar, com 18,12%, seguida pelo representante da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon (11,10%) e do centrista François Bayrou (9,11%). Segundo duas pesquisas realizadas no calor da noite eleitoral pelos institutos Ipsos e Ifop, com as quais é preciso ter precaução, François Hollande vencerá a eleição presidencial com 54% ou 54,5% dos votos contra 46% ou 45,5% de Nicolas Sarkozy. "Estou confiante", declarou o vencedor do primeiro turno, considerando-se "candidato da união" e "aquele em melhor posição para se tornar o próximo presidente da República". "A Frente Nacional nunca tinha chegado a um nível como este", afirmou. "É um novo sinal que aparece de repente diante de meus olhos". O atual presidente também manifestou sua "confiança", propondo "três debates" com seu adversário, "sobre questões econômicas e sociais, de sociedade e temas internacionais". François Hollande já recusou, afirmando querer apenas um debate, como é a tradição na França. "A batalha pela França apenas começou", declarou Marine após saber do resultado. "Nós quebramos o monopólio de dois partidos", completou. PRESENÇA O comparecimento dos franceses às urnas ficou acima do esperado, num primeiro turno dominado pela crise econômica. A taxa de participação chegou a mais de 80%, segundo estimativas dos institutos de pesquisa, uma taxa muito elevada, apesar de menor que em 2007 (83,77%). Essas cifras dissipam a preocupação com uma grande abstenção, expressada durante uma campanha que pouco envolveu os franceses, que não viam no pleito soluções para suas dificuldades. Em duas semanas, os eleitores vão escolher quem será o presidente nos próximos cinco anos de uma das principais economias mundiais, potência nuclear e membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, com um poder como poucos no mundo democrático. ESQUERDA Considerado há meses vencedor no segundo turno, com 55% dos votos em média, François Hollande, 57 anos, está em posição de força para se tornar o primeiro presidente de esquerda desde François Mitterrand (1981-1995). Com pouca experiência em cargos de peso, este homem que passa a imagem de sobriedade deverá poder contar no segundo turno com os votos dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon e da ecologista Eva Joly. A crise na zona do euro esteve presente na campanha, através da explosão de déficits, da taxa de desemprego (mais de 10% da população economicamente ativa), da questão do protecionismo europeu e da justiça fiscal.

Edição EDIÇÃO 16962




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