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MUNDO
Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010, 19h:59

ACORDO POLÍTICO

Sunitas rejeitam e coalizão corre risco

O acordo rejeitado inclui ainda um poderoso Conselho Nacional de Políticas Estratégicas, que seria liderado por Allawi e vigiaria o governo de Al Maliki

Os árabes sunitas rejeitaram ontem o acordo anunciado na véspera para a divisão do poder e formação de governo no Iraque e políticos tentam agora salvar o acordo que encerrará oito meses de impasse no país. O ex-premiê Ayad Allawi, líder do bloco Iraqyia, que incluiu os sunitas descontes, afirmou à rede de TV CNN que o acordo está morto. "Esta é uma nova ditadura acontecendo no Iraque", disse Allawi, xiita secular. Nas eleições de 7 de março, aliança xiita com apoio sunita Iraqiya, de Iyad Allawi, saiu com 91 das 325 cadeiras do Parlamento. Logo atrás, a exclusivamente xiita Estado de Direito, de Maliki, obteve 89 cadeiras. A também xiita Aliança Nacional Iraquiana (ANI) obteve 70 cadeiras e outras 43 ficaram com a aliança curda. Eram necessárias 163 cadeiras para um governo sem coalizão. ELEITO Em sessão na quinta-feira, os legisladores conseguiram eleger o sunita Osama al Nujaifi como líder da Câmara, mas logo em seguida vários membros do bloco de Allawi deixaram a sessão, antes da votação para presidente do país - cargo que ficou com o curdo Jalal Talabani, já que ainda havia quorum suficiente. O xiita Nouri Al Maliki vai continuar como premiê. O acordo inclui ainda um poderoso Conselho Nacional de Políticas Estratégicas, que seria liderado por Allawi e vigiaria o governo de Al Maliki. Allawi e o líder eleito da Câmara se juntaram a outros 57 membros do Iraqiya que deixaram a sessão, em uma decisão que parecia querer mostrar o poder do bloco. Parte dos membros continuou na sala. Iraqiya queria que o Parlamento votasse também uma lei para que o conselho fosse formado em 30 dias e para a formação de um comitê para revisar os casos de pessoas detidas ilegalmente --grande preocupação de sunitas que acusam o governo xiita de perseguição. O partido queria ainda um acordo final sobre o programa de "des-Baathificação", que expurgou ex-membros do partido de Saddam Hussein e proibiu três de seus membros de participar de posições no governo. Allawi foi do Baath, mas acabou deixando o partido com a chegada de Hussein ao poder. O pedido foi recusado. RETIRADA Os sunitas deixaram a sala quando o Parlamento não aceitou pedido para votar sobre o acordo de divisão de poder e seguiram direto para o voto para presidente. "Os procedimentos estavam indo no caminho certo. Mas, de repente, eles decidiram eleger o presidente", disse Allawi à CNN. "Eu fiquei muito surpreso. Eu fiquei extremamente surpreso. O acordo foi feito depois de falar com [o presidente dos EUA, Barack] Obama, a Liga Árabe", afirmou. "É uma piada de qualquer forma. O que reflete realmente é a intenção destes caras. Eles não tem intenção de trabalhar em um acordo de divisão de poder. [...] Depois de todos os compromissos, eu não serei um boneco correndo por aí sendo falsa testemunha da história". Agora, segundo a CNN, políticos e diplomatas estrangeiros dizem trabalhar para salvar o acordo. Mahmoud Othman, legislador curdo, disse que os esforços incluem curdos, americanos e a Liga Árabe e devem continuar até a sessão do Parlamento prevista para este sábado. Othman disse ainda à rede de TV que a saída dos sunitas foi resultado dos desentendimentos e profunda desconfiança entre os políticos no Iraque. A ideia é "emendar" o acordo para não ter que recomeçar do zero. EUA Na quinta-feira, os Estados Unidos classificaram de um "grande passo adiante" o acordo de divisão de poder anunciado mais cedo pelos principais partidos políticos iraquianos. O acordo, que deve ser confirmado em sessão do Parlamento iraquiano encerraria oito meses de impasse entre as facções xiitas, sunitas e curdas. "O aparente acordo para formar um governo de inclusão significaria um grande passo adiante para o Iraque", disse Anthony Blinken, assessor de segurança nacional do vice-presidente americano, Joe Biden.

Edição EDIÇÃO 16967




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