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MUNDO
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010, 19h:21

EUA E ALIADOS

Site denuncia mais barbáries no Iraque

Documentos divulgados pelo site Wikileaks apontam que forças dos EUA e seus aliados no Iraque cometeram abusos, execuções sumárias e ignoraram atos de tortura

Cerca de 400 mil documentos confidenciais divulgados ontem pelo site Wikileaks apontam que forças dos Estados Unidos e seus aliados cometeram abusos, execuções sumárias e ignoraram atos de tortura no Iraque. O conteúdo dos relatórios foi reproduzido pelos principais jornais internacionais, como o "Washington Post" e o britânico "Guardian", assim como pelo site da rede de TV Al Jazeera [Qatar]. Trata-se da maior quebra de segurança desse tipo na história militar dos Estados Unidos. Em julho, o WikiLeaks publicou 76 mil documentos militares sobre a guerra do Afeganistão. Ainda de acordo com os dados secretos, cerca 109 mil pessoas morreram no Iraque - sendo 66 mil delas civis. Segundo os documentos, mais de 15 mil civis morreram em incidentes que não haviam sido previamente divulgados. Autoridades americanas e britânicas insistem que não existe um número oficial de vítimas no conflito. Segundo os documentos, autoridades americanas não investigaram denúncias de abusos, torturas, estupros e outros crimes que teriam sido cometidos por policiais e soldados iraquianos, e tais oficiais tiveram permissão para continuar atuando sem qualquer punição. Os dados revelados pelo Wikileaks indicam ainda que houve inúmeros casos de abusos contra prisioneiros. Presos tiveram os olhos vendados e os tornolezos e pulsos amarrados, e foram agredidos com chutes, socos e choques elétricos. Ao menos seis dos relatórios vazados apontam que os presos morreram após serem submetidos aos abusos. O Pentágono pediu anteontem à imprensa que não publique documentos que venham a ser divulgados pelo site WikiLeaks, especializado em divulgar textos sigilosos. IMPRENSA Na quinta-feira, o porta-voz do Pentágono David Lapan afirmou que "a imprensa precisa ter cuidado". "Não queremos que o WikiLeaks, como organização, ganhe credibilidade se meios com credibilidade divulgarem suas informações." Com o objetivo de preparar-se para nova enxurrada de informações sigilosas, o Departamento de Defesa constituiu um grupo de trabalho de 120 pessoas para revisar as bases de dados sobre o Iraque no Pentágono e determinar "qual poderia ser o impacto" da publicação. O Pentágono considera que os documentos são relatórios de campo sobre a Guerra do Iraque, conhecidos como "Significant Activities". Se isso se tornar realidade, o vazamento é o muito maior que o de julho, quando 92 mil relatórios secretos das Forças Armadas dos EUA sobre o Afeganistão foram divulgados. As informações estão sendo publicadas em um momento delicado para o Iraque, onde os partidos políticos tentam formar um governo de coalizão e as forças de combate americanas completaram a retirada em agosto. Os EUA mantêm ainda no Iraque cerca de 50 mil soldados, que até o fim de 2011 deverão deixar o país.

Edição EDIÇÃO 16962




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