O novo Parlamento iraquiano se reuniu pela primeira vez ontem, mas a sessão terminou em impasse, sem definição sobre quem será o primeiro-ministro do país. Parte dos deputados sunitas e curdos abandonaram o local depois de um breve intervalo, impedindo o quórum para o resto da sessão. Boa parte deles defende a criação de um governo de união nacional unindo sunitas, xiitas e curdos. A proposta, porém, é rechaçada pelo atual primeiro-ministro, o xiita Nouri al-Maliki, que quer se manter no cargo. O seu grupo venceu as eleições parlamentares de abril, mas não tem maioria para apontar o premiê, o que levou ao impasse. A sessão ocorreu em meio a fortes divisões políticas e da insurgência do grupo radical sunita Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIIL), que no domingo declarou um califado na região. No começo da reunião, o parlamentar de maior idade, Mahdi al Hafez, que presidiu a sessão, pediu o restabelecimento da segurança e da estabilidade para conseguir "o desenvolvimento do Iraque". "O último revés de segurança que o Iraque sofreu deve chegar a seu fim para restaurar a estabilidade com o objetivo de avançar de maneira correta", disse. Hafez pediu, além disso, a união dos diferentes grupos étnicos e religiosos, porque caso contrário o "Iraque será frágil" e pediu que se chegue a um acordo para enfrentar "o grande desafio" atual. O número de vítimas por causa da violência no Iraque aumentou drasticamente em junho, alcançando 2.417 mortos e 2.287 feridos, frente aos 800 mortos registrados em maio, segundo os dados divulgados ontem pela ONU.