MUNDO
Terça-feira, 12 de Agosto de 2008, 20h:54
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GEÓRGIA
País aceita cessar-fogo proposto pela UE
Ainda sob clima de tensão, Medvedev voltou a insistir na idéia de levar aos tribunais o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili
A Geórgia aceitou ontem o plano de cessar-fogo proposto pela União Européia para acabar com o conflito entre o país e a Rússia nas províncias separatistas pró-Moscou da Ossétia do Sul e da Abkházia. Antes, o presidente russo, Dmitry Medvedev, já havia anunciado o fim das operações militares na região. As tropas e tanques russos entraram na Geórgia na sexta-feira, em resposta à agressão militar lançada pelo presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, um dia antes contra a Ossétia do Sul. Porém, apesar de dizer que a incursão "atingiu seus objetivos", o presidente da Rússia informou que vai manter forças russas na Ossétia do Sul e na Abkházia, como acontecia antes do conflito. O anúncio do fim da incursão russa na Geórgia foi feito em entrevista coletiva de Medvedev ao lado do presidente da França, Nicolas Sarkozy. ACORDO Sarkozy viajou logo depois para Tbilisi para apresentar o acordo de seis pontos ao líder georgiano. Diante dos repórteres, o presidente russo ressaltou que, apesar dos sinais de trégua, "os pacificadores russos cumprirão e continuarão cumprindo suas funções no Cáucaso". "São um fator-chave da segurança no Cáucaso. Assim foi e assim será", disse. Questionado se a União Européia (UE) está disposta a participar de missões de paz na zona, Sarkozy disse que a entidade está pronta. "Certamente", respondeu. Ainda sob clima de tensão, Medvedev voltou a insistir na idéia de levar aos tribunais o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili. "É estranha a situação quando um personagem que cometeu milhares de assassinatos é considerado terrorista e outro, que fez o mesmo, é considerado presidente de um Estado soberano eleito legitimamente. O direito internacional não pode ter dois pesos e duas medidas", disse. Horas antes do encontro entre os dois líderes, o ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou que Saakashvili deveria deixar a cadeira e seu Exército, sair da Ossétia do Sul para o "bem da região". Segundo Sergei Lavrov, a Rússia não negociaria com Saakashvili e "seria melhor que ele se fosse", em claro apoio à queda do líder georgiano. Entenda as causas do conflito. BOA NOTÍCIA Antes da coletiva, Sarkozy afirmou que é uma "boa notícia" o anúncio do presidente russo, do fim da operação militar para "impor a paz" à Geórgia.