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MUNDO
Quarta-feira, 05 de Novembro de 2014, 20h:38

SENADO AMERICANO

Oposição republicana conquista maioria

Os republicanos também venceram os governos em Estados importantes como Texas, Wisconsin e Flórida, onde o voto dos latinos era considerado fundamental

RAUL JUSTE LORES
Da Folhapress – Washington e São Paulo
A oposição republicana conquistou, ontem, os assentos que precisava para garantir o controle do Senado americano, que está há oito anos nas mãos do Partido Democrata do presidente Barack Obama. Os republicanos tinham que tirar seis cadeiras do Senado nas mãos dos democratas para chegar aos 51 senadores (de um total de 100). Projeções da imprensa americana durante a madrugada indicavam que os republicanos conquistaram as cadeiras da Virgínia Ocidental, Dakota do Sul, Montana, Arkansas, Colorado, Carolina do Norte e Iowa, que estavam em poder dos democratas. Neste ano, estavam em jogo 36 das 100 cadeiras do Senado e todas da Câmara. A Câmara dos Representantes (deputados), hoje controlada pelos republicanos, deve permanecer nas mãos do partido. Ele deve conquistar entre 14 e 18 cadeiras a mais, segundo projeções da ABC, o que daria à oposição 247 dos 435 membros, a vitória republicana mais ampla desde a década de 1930. No Arkansas, Estado natal do ex-presidente Bill Clinton (1993-2000), o senador democrata Mark Pryor perdeu, segundo as projeções, para o republicano Tom Cotton, 37, veterano das guerras do Iraque e do Afeganistão, que deve se tornar o mais jovem membro do Senado. Os republicanos também venceram os governos em Estados importantes como Texas, Wisconsin e Flórida, onde o voto dos latinos era considerado fundamental, entre outros dos 36 em disputa. Em uma campanha que priorizou as mensagens negativas e os ataques aos adversários, os dois grandes partidos americanos não conseguiram empolgar. Apesar da popularidade baixa do presidente Obama, por volta de 40%, os republicanos tinham pouca vantagem acima dos democratas mesmo em Estados conservadores. Vários democratas "esconderam" Obama de sua propaganda. CONSENSO A Casa Branca anunciou na noite de ontem que convidou lideranças dos dois partidos para uma conversa com o presidente na sexta - Obama tomaria a iniciativa de tentar construir consenso com a oposição, que poderá controlar Câmara dos Deputados e Senado nos dois últimos anos da gestão do presidente. Por vários anos, Barack Obama foi criticado por não gostar de negociar com lideranças do Congresso, nem mesmo do seu partido, e de não ter muito interesse em conversas de bastidores com outros políticos. Nos últimos dois anos, justamente por estar em minoria na Câmara dos Deputados, Obama não conseguiu aprovar nenhum de seus grandes projetos, de uma reforma imigratória ao aumento do salário mínimo a novas leis para o controle da venda de armas. OBAMA O presidente dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama, disse ontem que a vitória dos republicanos é um sinal da população americana de que ambos os partidos devem trabalhar pelos interesses dos cidadãos americanos. Em pronunciamento, ele parabenizou o presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, e o futuro presidente do Senado, Mitch McConnell, pela vitória e disse que os republicanos tiveram uma "boa noite" nas eleições de ontem. Por outro lado, ele vê a vitória adversária, assim como a alta abstenção nas urnas (mais de dois terços não votaram) como um sinal da população americana que ele diz ter ouvido. "A população americana mandou uma mensagem, uma que eles enviaram em diversas eleições. Eles esperam que os que eles elegem que trabalhem o mais duro possível. Eles querem que o trabalho seja feito. Quero que vocês saibam que eu os ouvi." Por outro lado, afirmou que poderá usar o poder de veto para retirar algumas medidas aprovadas pelos republicanos. "O Congresso vai aprovar medidas que eu não vou assinar. Nós certamente poderemos encontrar formas de trabalhar em conjunto em temas que têm forte aprovação entre o povo americano". Dentre as áreas em que ele afirma concordar com os republicanos, estão a aprovação de novas formas de financiamento para os universitários americanos e com o aumento do salário mínimo. E destacou os progressos feitos na economia. "Nós conseguimos aumentar nosso crescimento, a geração de empregos e implementar mudanças na previdência social enquanto a economia piorava no resto do mundo, e nós continuaremos isso, claro que com a ajuda do Congresso", disse.

Edição EDIÇÃO 16967




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