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MUNDO
Sábado, 05 de Dezembro de 2009, 15h:38

BOLÍVIA

Oposição chega enfraquecida às eleições

Evo é candidato único nas eleições presidenciais de hoje - na qual é franco favorito, com 55% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas

Evo de nuevo. Por onde se ande em La Paz ou nas estradas que rodeiam a cidade boliviana, lá está a frase estampada em cartazes, outdoors e pichações. Algo normal em campanhas eleitorais. A diferença, neste caso, é que não há propaganda de outros candidatos. Quem passa pela cidade tem a sensação de que Evo Morales é candidato único nas eleições presidenciais de hoje - na qual é franco favorito, com 55% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas. CAMPANHA A imagem sorridente de Evo está no pedágio entre o Aeroporto de El Alto e a cidade de La Paz, na entrada do Vale da Lua - uma das principais atrações turísticas da cidade - ou no Estádio Hernando Siles, famoso por deixar sem fôlego as equipes de futebol que jogam em solo boliviano. Descobrir quem são os opositores de Evo pela propaganda é missão quase impossível. Escondido entre prédios imensos do Prado, está um dos poucos outdoors de Manfred Reyes Villa, segundo colocado nas pesquisas, com 18%. Ex-governador de Cochabamba, Reyes parece não ter carisma suficiente para inverter a situação. "A oposição hoje é muito ligada ao passado. Não entendeu as mudanças políticas e sociais na Bolívia e não conseguiu articular uma proposta política e social", explica o analista político Gonzalo Chávez, professor da Universidade Católica Boliviana. MAIORIA Segundo ele, o fenômeno da esmagadora maioria de caratzes pró-Evo pode ser explicada pelo pouco ânimo da oposição em competir com o presidente em uma área dominada pelo partido do governo, o Movimento ao Socialismo (MAS) - favorito para obter também a maioria da cadeiras da Câmara e do Senado na votação de amanhã. "Provavelmente, acharam que seria desperdício de tempo e dinheiro e decidiram concentrar-se em áreas onde tivessem mais chances, como Santa Cruz, Pando e Tarija", afirma Chávez. A FAVOR Já o analista Roberto Laserna, professor da Universidad Mayor de San Simón e pesquisador do Centro para Estudos de Realidade Econômica e Social em Cochabamba, acredita que a predominância de cartazes a favor de Evo é reflexo do desmantelamento do sistema institucional vigente. "Foram instaurados processos para desacreditar os líderes opositores", diz. "Muitos saíram do país e até candidatos, como Manfred, estão com pendências judiciais." O professor acredita ainda que o exagero de outdoors pró-Evo em La Paz demonstra a disparidade de recursos com os quais os candidatos conduziram suas campanhas. "O governo tem buscado não apenas promover sua candidatura, mas ocupar todos os espaços possíveis para apagar do mapa a oposição", diz.

Edição EDIÇÃO 16967




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