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MUNDO
Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009, 21h:08

TRÁFICO DE PESSOAS

ONU alerta sobre negligência na luta global

Relatório revela que 79% dos casos de tráfico de pessoas estão relacionados com a exploração sexual, que na maioria das vezes envolvem mulheres e meninas

A negligência policial e a recusa de alguns governos a reconhecer a gravidade do drama do tráfico de pessoas solapam a luta global contra um crime em crescimento, do qual se desconhece suas verdadeiras dimensões, alertou nesta quinta-feira o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês). DADOS O estudo, baseado nos dados fornecidos por 155 países, se considera a primeira avaliação global do fenômeno do tráfico de pessoas e das medidas que foram adotadas para combatê-lo. "Há negligência em alguns países, e falta de reconhecimento do problema em outros, e inclusive uma negligência maligna em alguns casos. É uma prioridade menor", disse à agência Efe o diretor da UNODC, o italiano Antonio Maria Costa. Para ilustrar sua avaliação, Costa comparou os resultados conseguidos na atuação contra o narcotráfico e os da luta contra o tráfico humano. O UNODC calcula que as polícias do mundo interceptam entre 10% e 20% da droga traficada, e 46% no caso da cocaína procedente da América Latina. COMBATE Por outro lado, o relatório assinala que em 2006 somente foram recuperadas 21.400 vítimas de tráfico de pessoas, o que representa menos de 1% dos 2 milhões de seres humanos suspeitos de serem vítima deste crime, acrescentou o funcionário. "Isto se deve à falta de prioridade e à negligência. Também ao fato de que é um crime que, apesar de ter acompanhado desde sempre a humanidade, não tinha sido regulado internacionalmente até pouco tempo atrás", apontou Costa. BRASIL Na América Latina, o Brasil é um dos exemplos de países com baixos índices de penas, pois aqui a soma de casos de tráfico humano investigados pela Polícia Federal entre 2003 e 2006 é de 32, segundo o documento. Isso apesar de que nos campos do país vários imigrantes de nações vizinhas trabalhem em condições de quase escravidão, de acordo com o UNODC.

Edição EDIÇÃO 16967




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