O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que, se solução de dois Estados para o conflito israelo-palestino não for alcançada, o próprio Estado israelense se verá ameaçado. A declaração foi feita em entrevista ao jornal israelense Haaretz logo após a conferência de Annapolis com o presidente dos EUA, George W. Bush, e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Olmert comparou o caso à luta pelos direitos dos negros na África do Abbas disse na quarta-feira que as negociações devem trazer uma "paz completa" e voltou a fazer as velhas exigências palestinas: o fim da ocupação israelense e dos assentamentos e a libertação de prisioneiros. Ele disse ainda que espera que, no futuro, os palestinos possam viver sem postos de checagem, prisões ou muros, e com Jerusalém como capital. O direito de refugiados palestinos retornarem a Israel, a divisão de Jerusalém, as fronteiras entre os dois Estados, a segurança e a divisão da água também são temas que devem ser solucionados. Sobre a conferência em Annapolis, Olmert afirmou que nela foi alcançado mais do que se poderia definir como expectativas israelenses. "Mas isso não nos livra dos obstáculos que encontraremos nas negociações, que serão difíceis e complexas e irão requerer grandes doses de paciência e sofisticação." Nas palavras do premiê, "agora temos um interlocutor", em referência a Abbas. O movimento extremista islâmico Hamas afirmou em comunicado divulgado ontem, que "a Palestina é um só território geográfico e não se pode partir", ao lembrar os 60 anos da resolução da ONU para a partilha do antigo protetorado britânico na região palestina.