MUNDO
Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:24
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EUA E ISRAEL
Obama nega crise: laços são inquebráveis
Durante o encontro com Binyamin Netanyahu, o presidente americano elogiou o recente anúncio israelense de relaxar o bloqueio ao território palestino.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem acreditar que Israel tem intenções sérias de retomar as negociações de paz no Oriente Médio. Obama negou que as relações com Israel passem por um momento difícil. "E é por isso que nós permanecemos firmes em nosso comprometimento com a segurança de Israel. E os Estados Unidos jamais pedirão a Israel que tome qualquer medida que possa colocar em risco sua segurança", disse Obama. O encontro entre os dois líderes foi alvo de protestos. Em frente à Casa Branca, manifestantes carregavam cartazes pedindo o fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza. O presidente americano elogiou o recente anúncio israelense de relaxar o bloqueio ao território palestino. PAZ "Eu acredito que o primeiro-ministro (de Israel, Binyamin) Netanyahu quer a paz. Eu acredito que ele está disposto a assumir riscos pela paz", disse Obama, após um encontro privado com o líder israelense na Casa Branca. Obama indicou que os Estados Unidos gostariam de ver as negociações diretas entre israelenses e palestinos sendo retomadas antes de setembro, quando chega ao fim o período de congelamento parcial na expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia. O fim da expansão dos assentamentos é um dos pontos considerados cruciais pelos palestinos para retomar as negociações diretas com Israel, paradas desde dezembro de 2008, quando os israelenses lançaram uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza. "Nós esperamos que o diálogo indireto (mediado pelos Estados Unidos) leve a negociações diretas. E eu acredito que o governo de Israel está preparado para se comprometer com essas negociações diretas", disse Obama, em uma coletiva ao lado de Netanyahu. "Minha esperança é que, uma vez que as negociações diretas tenham começado, bem antes do fim do congelamento (da expansão dos assentamentos), elas criem um clima no qual todos sintam que há uma maior aposta no sucesso." O primeiro-ministro israelense disse estar "comprometido com a paz" e acreditar que "é o momento de começar negociações diretas". "Eu acho que, com a ajuda do presidente Obama, o presidente (da Autoridade Palestina, Mahmoud) Abbas e eu devemos nos engajar em negociações diretas para chegar a um entendimento político de paz, junto com segurança e prosperidade", disse Netanyahu. No entanto, apesar das declarações e de os dois líderes terem afirmado que conversaram sobre "medidas concretas" a serem tomadas nas próximas semanas, Obama e Netanyahu não deram detalhes sobre como se dariam os avanços rumo às negociações diretas. COLETIVA Os dois líderes apareceram sorridentes na coletiva de imprensa após o encontro privado, uma mudança em relação à última visita de Netanyahu aos Estados Unidos, em março. Na ocasião, a visita do líder israelense ocorreu em meio a um momento de tensão nas relações bilaterais, provocado pelo anúncio de novas construções israelenses em Jerusalém Oriental, feito durante uma viagem do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel. Ontem, entre sorrisos e apertos de mão diante das câmeras, Obama e Netanyahu pareciam determinados a demonstrar que as relações estão normalizadas. Ao ser questionado sobre o assunto, o presidente americano negou qualquer atrito na relação com Israel. "A verdade é que eu confiei no primeiro-ministro Netanyahu desde que o conheci, antes de ser eleito presidente, e eu já disse isso tanto publicamente quando reservadamente." Obama disse que os laços entre os dois países são "inquebráveis".