MUNDO
Segunda-feira, 10 de Março de 2008, 20h:26
A
A
EUA
Obama descarta ser vice de Hillary Clinton
A proposta de uma candidatura conjunta foi feita após a nomeação de John McCain como candidato republicano oficial à Presidência
O pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama classificou ontem de "jogada tática" a sugestão de sua rival Hillary Clinton para que o senador por Illinois se torne companheiro da ex-primeira-dama na chapa democrática para as eleições presidenciais. "Não estou disputando a vice-presidência. Estou disputando o cargo de presidente dos Estados Unidos da América", disse Obama durante comício no Mississippi. O Estado tem eleições primárias marcadas para esta hoje. Hillary e o ex-presidente Bill Clinton, marido da senadora por Nova York, têm tocado no assunto da chapa conjunta nos últimos dias. A sugestão ocorreu um dia após a vitória de Hillary em três prévias consecutivas - Ohio, Texas e Rhode Island -, que a colocou novamente na disputa pela vaga democrata. Simpatizantes de Obama têm sugerido que essas movimentações não são nada além de manobras políticas de Hillary, que está atrás na disputa pela indicação democrata para enfrentar o republicano John McCain nas eleições de novembro. A proposta de uma candidatura conjunta foi feita após a nomeação do senador John McCain como candidato republicano oficial à Presidência dos EUA. Agora, os republicanos irão se unir e concentrar a campanha na disputa pela sucessão do presidente George W. Bush. "Talvez o processo aponte para esse sentido, porém devemos decidir quem encabeçará a chapa", disse Hillary. "Acredito que o povo de Ohio afirmou claramente que deveria ser eu". Após Wyoming, vencido por Obama, o acirrado duelo democrata vai agora para as prévias de Mississippi e depois para a próxima grande disputa, na Pensilvânia, em 22 de abril. JOHN MCCAIN A batalha entre os pré-candidatos democratas Hillary Clinton e Barack Obama deram ao senador e virtual candidato republicano John McCain uma vantagem valiosa: tempo que ele poderá usar para elevar sua arrecadação de verbas e transformar seu pequeno financiamento em uma grande operação para a campanha presidencial. A trégua interna republicana dará a McCain algum tempo para respirar, mas trará ainda mais problemas para sua campanha. McCain chegou a afirmar anteriormente que via nos próximos meses uma oportunidade de "colocar a casa em ordem", e ele planeja aproveitar para cruzar o país divulgando suas propostas politicas. McCain ainda pretende ganhar visibilidade fora do país. Em março, ele espera viajar para a Europa e o Oriente Médio. Porém, sua prioridade é intensificar o foco na arrecadação de fundos, com entre 20 e 30 eventos por mês. Sua campanha inicialmente quase naufragou por falta de verba, e continua bem atrás das milionárias arrecadações de Hillary e Obama. Em janeiro, McCain somava US$ 55 milhões em doações, quantia bastante inferior aos US$ 138 milhões levantados por Hillary e os US$ 141 milhões de Obama - considerando que a cada mês, os democratas registram recordes de doações. Sem rivais no partido, McCain conta com os grandes doadores republicanos para alavancar a conta da campanha. Ele ainda espera herdar os apoiadores do presidente George W. Bush, que endossou sua candidatura. Apoiadores acreditam que tornando McCain um alvo menor do jornalismo "te peguei", que destaca gafes e deslizes, ele pode desenvolver a compreensão e atrair a imprensa. Eles acreditam que aproximando o candidato dos jornalistas, como uma chance para que eles conheçam a posição do candidato, pode fazer com que McCain seja menos interpretado fora do seu contexto.