MUNDO
Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013, 19h:55
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ORIENTE MÉDIO
Obama aponta para ação "limitada" na Síria
Não estamos considerando o envio de tropas", afirmou o presidente Barack Obama, que falou em 'incapacidade' do Conselho de Segurança de agir na Síria
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse ontem que está avaliando uma ação militar "limitada" na Síria que não representaria um "compromisso" bélico de longo prazo nem o envio de tropas, mas esclareceu que está estudando "uma ampla gama" de opções com seus assessores. "Não estamos considerando um compromisso (militar) indefinido. Não estamos considerando o envio de tropas", afirmou Obama antes de receber na Casa Branca os líderes de Estônia, Letônia e Lituânia. Obama deixou claro que o ataque com armas químicas do último dia 21 de agosto na periferia de Damasco e atribuído pelos EUA ao regime sírio não ficará sem resposta, já que, segundo sua opinião, representa um "desafio para o mundo". "Não podemos aceitar um mundo no qual mulheres, crianças e civis inocentes são vítimas de ataques com gás", ressaltou. Os tipos de ataques como o de 21 de agosto são uma "ameaça" para a segurança nacional dos EUA e também para países aliados como Israel, Turquia e Jordânia, segundo Obama. "O mundo tem a obrigação de assegurar-se que respeitamos as normas contra o uso de armas químicas", ressaltou o presidente. O líder afirmou também que teria preferido uma ação "multilateral" na Síria, em alusão à rejeição do Parlamento britânico à participação do Reino Unido em uma intervenção militar, e ao bloqueio ocorrido na ONU. "Não queremos que o mundo se paralise. Muitos pensam que algo deveria ser feito, mas ninguém quer fazê-lo", refletiu. Obama falou após a divulgação de um relatório da inteligência americana que estabelece que 1.429 pessoas, entre elas pelo menos 426 crianças, morreram no ataque com armas químicas de 21 de agosto na periferia de Damasco e que atribui essa ação ao regime sírio. Em paralelo à divulgação desse relatório, o secretário de Estado de EUA, John Kerry, compareceu perante a imprensa e disse que as provas que seu país dispõe sobre a responsabilidade do regime sírio nesse ataque são "claras e convincentes". INCAPACIDADE O presidente americano, Barack Obama, criticou nesta sexta-feira a "incapacidade" do Conselho de Segurança da ONU de agir na questão síria e advertiu que o mundo não deve ficar "paralisado" diante de um ataque com armas químicas. "O que nós vimos, até agora pelo menos, é uma incapacidade do Conselho de Segurança de avançar frente a uma clara violação das normas internacionais", declarou Obama, depois de se reunir com líderes bálticos na Casa Branca. Obama disse que entende o cansaço generalizado com as guerras, tanto no caso dos Estados Unidos, quanto da Grã-Bretanha e em outros lugares, mas defendeu que isso não exime as nações de suas responsabilidades. Ele observou também que os americanos enfrentaram uma década de guerras e que agora é hora de recuperar a economia. "Garanto que ninguém está mais cansado de guerras do que eu", disse Obama. FILHO DE ASSAD Eu quero que eles ataquem muuuito, porque eu quero que eles cometam esse grande erro de começar algo cujo fim desconhecem. Esta frase, parte de um texto postado recentemente no Facebook, fala do conflito da Síria: refere-se aos Estados Unidos e à crescente especulação de uma possível intervenção ocidental no país devastado pela guerra civil iniciada em março de 2011. Ela seria a simples frase de uma pessoa simpatizante do regime sírio e crítica dos americanos, não fosse ela, ao que tudo indica, escrita por Hafez Assad, filho do presidente Bashar al-Assad.