MUNDO
Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2013, 20h:24
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TRISTEZA
O mundo inteiro rende homenagens a Mandela
África do Sul define cronograma e Dilma participa de missa a Mandela no dia 10. Barack Obama e sua mulher Michelle viajarão à África do Sul na próxima semana
O corpo do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, foi transferido ontem para um hospital militar em Pretória. O atual presidente do país, Jacob Zuma comunicou em um discurso na rede de televisão e rádio pública que Mandela morreu anteontem, quinta-feira, às 20h50 locais em companhia de sua família. "Morreu em paz, nossa nação perdeu o maior de seus filhos e um pai", informou Zuma. Enquanto isso, líderes mundiais rendem homenagens a Mandela. O governo da África do Sul definiu o cronograma para as cerimônias fúnebres em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela e estabeleceu que o ato no qual os chefes de Estado e de governo participarão ocorrerá na próxima terça-feira, 10 de dezembro. A previsão anterior era de que os chefes de Estado fossem recebidos no dia 14. Interlocutores dão como certa a presença da presidente Dilma Rousseff no evento. Dilma, a exemplo de mais de 150 outros líderes, deve participar da missa fúnebre oficial, que será realizada no estádio Soccer City, em Johanesburgo, que foi palco da Copa do Mundo de 2010. As demais atividades do cronograma estabelecido pelo governo sul-africano incluem um dia nacional para reza e reflexão (8), velório na sede do governo, na cidade de Pretória (de 11 a 13), além do sepultamento no próximo dia 15 na vila de Qunu, onde o ex-líder nasceu. Na quinta-feira ao receber a notícia da morte de Mandela, Dilma afirmou que a luta de Mandela se transformou em um paradigma da luta contra a opressão e a tirania. "Seu combate transformou-se em um paradigma, não só para o continente africano, como para todos aqueles que lutam pela justiça, pela liberdade e pela igualdade", escreveu ela, em nota. Um dia após a morte do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias. O decreto será publicado ontem em edição extra do Diário Oficial da União, passa a valer imediatamente e é válido em todo o território nacional. Mandela se tornou em 1994 o primeiro presidente negro da história da África do Sul e liderou, junto com seu antecessor no cargo e último governante do apartheid, Frederik De Klerk, uma transição democrática que evitou uma guerra civil entre brancos e negros no país. Mandela tinha saído de prisão quatro anos antes, após ficar preso por 27 anos por suas ações contra o regime segregacionista. Foi nas prisões do "apartheid" que contraiu os problemas respiratórios que provocaram sua morte. O presidente Barack Obama e sua mulher Michelle viajarão à África do Sul na próxima semana para prestar sua homenagem a Nelson Mandela, anunciou nesta sexta-feira a Casa Branca. "O presidente Obama e a primeira-dama irão à África do Sul na próxima semana para prestar homenagem a Nelson Mandela e participar nas cerimônias em sua memória", indicou o porta-voz da presidência, Jay Carney, sem maiores detalhes. O presidente do Uruguai, José Mujica, afirmou ontem que o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, falecido ontem aos 95 anos, foi "o irmão mais velho de todos os lutadores sociais de nosso tempo". Mujica, 78 anos e que da mesma forma que Mandela esteve preso em duras condições durante 13 anos antes e durante a ditadura que governou o Uruguai entre 1973 e 1985, disse que o líder sul-africano "é para a humanidade uma reserva dos melhores e eternos valores para tentar impulsionar o amor à vida". "Homenageando Mandela homenageamos talvez a condição humana", acrescentou Mujica em seu programa de rádio. O governo uruguaio decretou ontem dois dias de luto nacional em homenagem ao líder sul-africano. Mujica declarou também que é "praticamente impossível" encontrar uma figura tão transcendente na luta pela igualdade, contra o racismo e "capaz de aglutinar tanta coisa diferente e contraditória para dar identidade a um país cheio de injustiça e dor". "É uma formosa vida que encerra seu ciclo", afirmou o chefe de Estado uruguaio. ISRAEL O governo de Israel lamentou ontem a morte do ex-dirigente sul-africano Nelson Mandela, que foi descrito pelo presidente israelense, Shimon Peres, como "um grande líder que mudou o curso da história". "O mundo perdeu um grande líder que mudou o curso da história. Em nome de todos os israelenses estamos de luto com todas as nações do mundo e o povo da África do Sul, que perdeu um líder excepcional", disse o político israelense em comunicado divulgado durante a madrugada. Durante muitos anos, o governo israelense manteve laços econômicos e relações estratégicas com o regime do apartheid. Apenas em 1987, quando se encontrava como único país desenvolvido ainda a apoiar a minoria branca, Israel denunciou o apartheid. Peres, que se reuniu com Mandela em várias ocasiões, acrescentou que ele foi um "defensor dos direitos humanos e deixou uma marca indelével no combate ao racismo e à discriminação". "Foi um defensor apaixonado da democracia, um respeitado mediador, prêmio Nobel da Paz e, acima de tudo, um construtor de pontes e de diálogo que pagou um alto preço pessoal por sua luta", afirmou Peres ao oferecer suas condolências ao povo sul-africano.