MUNDO
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010, 19h:32
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INDONÉSIA
Mortos por tsunami e vulcão passam de 130
A Indonésia tende a sofrer com grande atividade sísmica e vulcânica devido a sua localização no "Anel de Fogo do Pacífico", uma série de falhas geológicas
Dois graves desastres naturais, um tsunami e uma erupção vulcânica deixaram mais de 130 mortos. O tsunami, gerado após um terremoto de magnitude 7,7 perto da costa de Sumatra, no final de segunda-feira, matou ao menos 113 pessoas. Cerca de 1.300 km a leste dali, o vulcão Monte Merapi entrou em erupção ontem e já foram registradas ao menos 18 vítimas fatais - inclusive um bebê de dois meses. A Indonésia tende a sofrer com grande atividade sísmica e vulcânica devido a sua localização no "Anel de Fogo do Pacífico", uma série de falhas geológicas que se estendem do hemisfério Ocidental até o Japão e o sudeste asiático. Há mais de 129 vulcões ativos na Indonésia, espalhados pelas 17.500 ilhas, mas o Merapi há muito é considerado um dos mais voláteis. A falha geológica na costa da ilha de Sumatra, responsável pelo tsunami, foi a mesma que causou um terremoto em 2004 e um tsunami monstro no Oceano Índico, que matou 230 mil pessoas em 12 países. O terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o país, apenas 20 km abaixo do solo oceânico, foi seguido por ao menos 14 tremores subsequentes, o mais forte medindo 6,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). Anteontem, após o tremor, o governo da Indonésia chegou a emitir um alerta de tsunami, mas depois o suspendeu, acreditando não haver risco de chegada de ondas ao seu litoral. Equipes de resgate enfrentaram mares turbulentos tentando alcançar ilhas remotas atingidas pelo tsunami de 3 metros que varreu casas e matou ao menos 113 pessoas. Centenas continuam desaparecidas e o número de vítimas deve aumentar. Como poucos conseguiram chegar às ilhas para ajudar nas buscas, pescadores tiveram de buscar sobreviventes e recuperar corpos das vítimas. PÂNICO Muitos moradores entraram em pânico e correram para lugares altos. Isso pode explicar as mais de 500 pessoas ainda desaparecidas, disse Hendri Dori, um parlamentar local que supervisiona o trabalho de buscas. "Estamos tentando manter as esperanças." Centenas de casas de madeira e bambu foram varridas da ilha de Pagai, com as águas inundando plantações e estradas a até 600 metros da costa. Em Muntei Baru, uma vila na ilha Silabu, 80% das casas ficaram seriamente danificadas. Essas e outras ilhotas atingidas fazem parte da cadeia de ilhas de Mentawai, um popular destino turístico para surfistas a 280 km de Sumatra. Para chegar às ilhas Mentawai, por exemplo, é preciso viajar 12 horas de barco, e as equipes de resgate se preparam para o pior. "Temos 200 sacos para corpos a caminho, por precaução", disse ontem Mujiharto, que comanda o centro de crises do Ministério da Saúde. Mais de 4.000 pessoas passaram a noite sem abrigo, porque as barracas e outros suprimentos não conseguiram ser entregues também. VULCÃO Cerca de 1.300 km a leste, o vulcão mais ativo do país, o Monte Merapi, entrou em erupção ontem. Merapi significa, literalmente, Montanha de Fogo e o vulcão fica na principal ilha de Java, cerca de 500 km a sudeste da capital Jacarta. Ao menos 18 pessoas morreram, incluindo um bebê de dois meses, segundo relatos de médicos e da imprensa local. O bebê morreu quando sua mãe correu em pânico, após a erupção começar, disse Mareta, funcionário de um hospital. Até o final do dia de ontem havia divergências sobre o número de mortos pelo vulcão. O site Detik.com falava em 14 corpos recuperados de várias casas em vilas próximas ao vulcão, citando uma autoridade que visitou o local. Já a Metro TV, que mostrou autoridades carregando corpos de dentro de casas, disse que 15 foram removidos. Os desastres naturais que atingem a Indonésia ontem chegam seis anos após o devastador tsunami de 2004 - considerado uma das maiores catástrofes dos tempos modernos - que deixou mais de 220 mil mortos nos países banhados pelo Oceano Índico.