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MUNDO
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010, 19h:36

Morte abre um período de incertezas para a Argentina

A morte do ex-presidente Néstor Kirchner abre um período de incertezas para a Argentina, avaliam especialistas que acompanham a política do país. O ex-presidente era visto por analistas como o político mais influente da Argentina. Sua morte lança dúvidas sobre se a presidente Cristina Fernández de Kirchner poderá seguir governando sem a presença do marido e ex-presidente e se haverá um retrocesso nos avanços conquistados pela Argentina nos últimos anos. COMPLICADO Para a cientista política Mariana Llanos, do Instituto Giga, de Hamburgo, a morte de Kirchner cria um panorama complicado para a Argentina. "Néstor Kirchner tinha um papel muito relevante como operador político dentro do governo de sua esposa", afirmou à Deutsche Welle. "Todo mundo sabe que ele era como um poder nas sombras." Segundo Llanos, ele era uma espécie de consultor de primeira ordem e muitas decisões do governo são atribuídas diretamente ao presidente. A morte de Kirchner dá início a um período de incertezas no país sul-americano, avaliou a cientista política. INCERTEZAS O economista sênior do Grupo Goldman Sachs Alberto Ramos também vê o início de um período de incertezas no país. "A morte de Kirchner introduz uma significativa incerteza política porque forças políticas pró-governo provavelmente se realinharão significativamente, antecipando as eleições presidenciais do próximo ano", declarou à agência de notícias Reuters. Llanos lembra que vários presidentes caíram durante os anos de democracia. "Sustentar a figura presidencial é algo complicado na Argentina", disse. Na avaliação dela, a figura de Fernández de Kirchner sempre foi mais fraca que a do marido, apesar de este não exercer nenhuma função institucional no governo. Kirchner fora eleito deputado nas eleições de 2009. ESPOSA A cientista política sublinha ainda o aspecto emocional da morte de Kirchner para a esposa. "Cabe ressaltar que, acima de tudo, é um momento de comoção para a presidente argentina e temos que ver como ela vai se recuperar." O casal exercia um estilo de governo fechado e, para a especialista, seguir com esse estilo não trará benefícios à chefe de governo.

Edição EDIÇÃO 16962




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