MUNDO
Sábado, 09 de Junho de 2012, 13h:48
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MUBARAK
Manifestação pede transferência
Cerca de 200 partidários de Hosni Mubarak iniciaram ontem um protesto sem prazo para terminar, para que o ex-presidente egípcio deposto seja transferido da prisão para um hospital. Autoridades egípcias e a imprensa local informaram que piorou o estado de saúde de Mubarak, 84, após a divulgação do resultado de seu julgamento, na semana passada, no qual ele recebeu condenação de prisão perpétua por seu papel na morte de manifestantes durante a revolta que o tirou do poder, no ano passado. "Há cerca de 200 partidários e advogados de Mubarak em frente à Autoridade Prisional e eles não sairão de lá enquanto Mubarak não for transferido para um hospital militar ou particular", afirmou Mohamed Abdel Razek, um dos advogados do ex-ditador. Abdel Razek afirmou que o promotor geral disse a ele que "não havia barreiras" para o seu pedido de transferência de Mubarak da ala médica da prisão de Tora, no Cairo, mas que essa decisão precisa ser tomada pela Autoridade Prisional. Na semana passada, fontes de segurança afirmaram que Mubarak recebeu respiração artificial cinco vezes em apenas um dia, e médicos recomendaram que ele seja transferido para um hospital militar ou para o local que ele estava antes de sua sentença sair. A agência de notícias estatal Mena afirmou ontem que Mubarak, que foi levado em uma cama de hospital ao tribunal para seu julgamento, corre o risco de sofrer um derrame. A absolvição de seis dos principais assessores de Mubarak enfureceu aqueles que alegam que a velha guarda do ex-presidente ainda governa nos bastidores. Alguns egípcios queriam a execução de Mubarak, e a sentença causou dias de protestos em todo o país. Os manifestantes exigiam um novo julgamento e a implementação de uma lei, aprovada pelo Parlamento mas não colocada em vigor, banindo assessores de Mubarak da política. A corte constitucional vai julgar a validade da lei no dia 14 de junho.Entre os dias 16 e 17 de junho ocorrerá o segundo turno das eleições presidenciais, que terá o embate entre Ahmed Shafiq, ex-premiê de Mubarak, e o candidato da Irmandade Muçulmana Mohamed Mursi. O Exército, que governa o país desde a queda de Mubarak, entregará o poder para o eleito em 1º de julho. ASSÉDIO SEXUAL Mulheres que protestavam contra o assédio sexual na praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito afirmam que foram atacadas por um grupo de homens que agrediram sexualmente várias manifestantes. Dezenas de mulheres, acompanhadas por homens dispostos a manifestar apoio e oferecer proteção, decidiram realizar o protesto na praça, símbolo dos protestos contra o regime do ditador Hosni Mubarak, para denunciar agressões sexuais recentes. Ao mesmo tempo, milhares de egípcios protestavam para exigir a desqualificação de Ahmed Shafiq, ex-premiê de Mubarak, que enfrentará o líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, no segundo turno da eleição presidencial, no dia 17. Mas no momento em que passavam pela praça, as mulheres foram atacadas por homens bem mais jovens, segundo as vítimas. "Caminhávamos em fila e os voluntários que estavam no local para nos proteger formavam cordões ao nosso redor", declarou uma participante à agência de notícias France Presse. "Subitamente, vários homens avançaram contra o grupo. Tudo aconteceu muito rapidamente. Sentia uma mão ou duas, mas tive sorte, um homem me tirou do local imediatamente. Mas várias mulheres foram tocadas", acrescentou.