MUNDO
Segunda-feira, 21 de Julho de 2008, 20h:43
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CRISE ARGENTINA
Lula tentou aconselhar Cristina
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou duas vezes conversar por telefone sobre a crise política na Argentina com a presidente Cristina Kirchner, mas não obteve sucesso. A colega mandou assessores avisá-lo, de forma sutil, que optaria pelo isolamento para repensar as táticas contra os opositores e até aliados que derrubaram no Senado proposta dela de aumento dos impostos agrícolas. Na sexta-feira, Lula tentou falar com Cristina pela manhã, mas a assessoria da Casa Rosada alegou que a presidente despachava com o presidente da Lituânia, Valdas Adamkus. À noite, Lula voltou a tentar um contato com Cristina. A conversa não ocorreu, segundo o assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio García, pela diferença de fuso horário entre Bogotá, onde Lula estava, e Buenos Aires. Garcia divulgou nota negando que o presidente tenha conversado com Cristina e pedido calma, como noticiaram o jornal argentino El Cronista e a revista Veja. Mesmo sem um retorno de Cristina, o presidente manifestará o apoio dele pessoalmente num encontro dia 4 em Buenos Aires. Nos bastidores, Lula demonstra respeito e carinho por Cristina, o que não ocorreu com o ex-presidente Nestor Kirchner. "O sentimento que o presidente (Lula) nutre em relação a sua colega argentina será reiterado na visita", disse Garcia. O assessor classificou essa relação como "fraterna". É como um irmão mais velho que observa o arrependimento dos mais novos em não terem aceito seus conselhos que o presidente Lula observa as mudanças nos discursos dos colegas do continente, na avaliação de auxiliares. Depois de anos de tentativas fracassadas para que os líderes vizinhos mais radicais esfriassem os ânimos, Lula avalia agora, segundo interlocutores do Planalto, que os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Corrêa, estão sendo obrigados a amenizar os ataques a governos de direita diante do fortalecimento da oposição que sofrem dentro de seus próprios países. Assessores do Planalto observam a mudança brusca de comportamento de Chávez logo após o governo colombiano ter apreendido computadores de guerrilheiros com supostas informações sobre possíveis vínculos de Caracas com a cúpula das Farc.