MUNDO
Quinta-feira, 17 de Maio de 2012, 20h:03
A
A
NOVO COMANDO
Líder de opositores da Síria ameaça com renúncia
O presidente do Conselho Nacional Sírio, Burhan Ghalioun, afirmou ontem que poderia renunciar ao comando da organização após acusações de ativistas de que ele monopoliza o poder. O líder opositor foi reeleito na terça para o terceiro mandato de três meses consecutivo. Ghalioun disse, em entrevista à emissora de televisão Al Jazeera, que sairia do comando do CNS para evitar uma divisão da oposição síria caso aconteçam novas eleições. "Venci a disputa e ganhei a legitimidade do Conselho Nacional, mas penso que a real legitimidade é dada pelas pessoas nas ruas e os jovens que lutam em campo", afirmou o líder, que renunciará "imediatamente após a aprovação de um candidato que será aceito pela militância revolucionária nas ruas". Os Comitês de Coordenação Local, uma das principais organizações opositoras, ameaçou sair do Conselho Nacional Sírio pela falta de colaboração do presidente nos protestos na Síria e pelo "monopólio de poder". "Não vemos nada nos últimos meses a não ser a incompetência política do conselho e a falta total de consenso entre a visão deles e a dos revolucionários", informou a rede, em comunicado. O Conselho Nacional Sírio é um grupo composto de correntes étnicas do país árabe contra o ditador Bashar al Assad, criado após o início dos protestos contra o regime, em março de 2011, para representar o país no exterior. NOVOS ATAQUES Ontem, o Exército sírio concentrou os ataques contra a cidade de Rastan, importante reduto dos rebeldes que o ditador Bashar al Assad chamou na véspera de "bando de criminosos", de acordo com o grupo opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede no Reino Unido. A cidade Rastan, na província de Homs, foi bombardeada pelo Exército ao ritmo de "três obuses por minuto", afirmou Abdel Rahman, presidente da organização, à agência de notícias France Presse. Abdel Rahman pediu aos observadores da ONU mobilizados no país que prossigam imediatamente para a cidade de Rastan, "que o regime tenta destruir gradualmente".