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MUNDO
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013, 19h:37

EGITO

Irmandade Muçulmana perde força

As convocações de protestos pela Irmandade Muçulmana do Egito não conseguiram se materializar ontem, depois da sangrenta repressão militar contra os seguidores do presidente deposto Mohamed Mursi. Soldados e policiais tomaram medidas de segurança relativamente discretas antes das marchas da "sexta-feira dos mártires", que deveriam ter partido de 28 mesquitas na capital depois das orações de sexta-feira. Mas as orações do meio-dia foram canceladas em algumas mesquitas e havia poucos indícios de que grandes manifestações no Cairo, apesar de testemunhas terem afirmado que ao menos 1 mil pessoas participaram de um protesto no bairro de Mohandiseen. Não havia relatos de violência nesse local, mas a Irmandade postou em seu site que uma pessoa foi morta em confrontos com forças de segurança na cidade de Tanta, no delta do Nilo. "Não temos medo; é a vitória ou a morte", disse Mohamed Abdel Azim, um engenheiro aposentado que estava entre as cerca de 100 pessoas que saíam lentamente de uma mesquita perto da Universidade do Cairo. "Eles pretendem atacar os muçulmanos", disse Azim. "Nós preferimos morrer com dignidade a viver na opressão. Continuaremos saindo até que não tenha sobrado ninguém", disse. Alguns manifestantes carregavam pôsteres de Mursi, que foi derrubado pelo general Abdel Fattah al-Sisi, o chefe das forças armadas, em 3 de julho, depois de manifestações gigantescas contra seu governo. "Não ao golpe", gritavam. O Egito vive a agitação civil mais sangrenta de sua história moderna desde 14 de agosto, quando a polícia destruiu acampamentos de manifestantes erguidos pelos partidários de Mursi no Cairo para exigir sua volta ao poder. A violência alarmou os aliados ocidentais do Egito, mas o presidente norte-americano, Barack Obama, reconheceu que mesmo a decisão de cortar a ajuda dos EUA para o Cairo poderia não influenciar seus líderes militares. Alguns parlamentares americanos pediram a suspensão dos US$ 1,5 bilhão por ano em ajuda, na maior parte militar, ao Egito. "A ajuda sozinha pode não reverter o que o governo interino faz", disse Obama em uma entrevista para a CNN. "Mas acho que o que a maioria dos americanos diria é que temos que ser bem cautelosos em sermos vistos como cúmplices de ações que são contrárias aos nossos valores e nossos ideais", afirmou. Ele disse que os Estados Unidos estavam reavaliando seus laços com o Egito. "Não há dúvida de que não podemos voltar aos negócios de sempre, dado o que aconteceu". Os Estados Unidos vinham promovendo uma aliança com o Egito desde que o país norte-africano assinou um tratado de paz com Israel em 1979. A cooperação militar inclui acesso norte-americano privilegiado ao Canal de Suez.

Edição EDIÇÃO 16967




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