MUNDO
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012, 19h:10
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PROGRAMA NUCLEAR
Irã está perto de ter material para bomba
O Irã estaria agora a apenas um ano de ter material suficiente para uma bomba nuclear; Deputada dos EUA teme envio de urânio do Equador a usinas do Irã
Ao transferir a produção de urânio altamente enriquecido para uma nova instalação subterrânea, o Irã está agora a apenas um ano de ter material suficiente para uma bomba nuclear. A informação é de um ex-chefe das inspeções nucleares da ONU (Organização das Nações Unidas), em artigo publicado ontem. O finlandês Olli Heinonen escreveu que ter um estoque de cerca de 250 quilos de urânio enriquecido a 20% - uma forma que em poucas semanas pode ser purificada para o grau de armas, de 90% - não significava, no entanto, que o Irã possa fabricar uma bomba sem mais trabalho de engenharia. Heinonen foi vice-diretor-geral da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) até 2010 e agora está na Universidade de Harvard. Ele fez a previsão dias depois de o Irã ter confirmado o início do enriquecimento de urânio a 20% dentro da montanha Fordo, alimentando os temores do Ocidente de que Teerã está buscando armas atômicas. Estimativas sobre quando o Irã poderá desenvolver tais armas são importantes, já que podem determinar o prazo que as potências terão para resolver o impasse nuclear de forma pacífica. Teerã diz que seu programa nuclear é pacífico. O país islâmico diz que precisa refinar urânio ao nível de 20% de pureza físsil, comparado com os 3,5% normalmente usados para abastecer as usinas de energia nuclear, para um reator de pesquisas médicas em Teerã que produz isótopos para doentes com câncer. Mas diplomatas ocidentais e especialistas questionam a credibilidade dessa justificativa e observam que adquirir a capacidade de produzir urânio a 20% é um passo mais perto dos 90% necessários para fazer material para armas. "Se o Irã decidir produzir urânio no grau das armas, a partir do urânio enriquecido a 20%, já terá realizado 90% do esforço de enriquecimento necessário", escreveu Heinonen em um artigo para a revista Foreign Policy. "O que resta fazer é abastecer o urânio a 20% através de cascatas existentes e adicionais para chegar ao enriquecimento no grau de armas... esse passo é mais rápido do que os anteriores". Até agora o Irã produziu urânio a 20% em outra instalação na superfície, mas anunciou no ano passado que iria transferir essa atividade de alto grau para um local subterrâneo em Fordo, oferecendo melhor proteção contra ataques aéreos inimigos. TEMOR A congressista americana Ileana Ros-Lehtinen, do partido Republicano, expressou ontem seu temor que o Irã obtenha acesso às reservas de urânio do Equador para abastecer seu programa nuclear, por ocasião da chegada a Quito do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. "Enquanto os Estados Unidos e os países responsáveis trabalham para forçar o Irã a cessar e desmantelar de forma verificável seu programa nuclear, estou preocupada que [o presidente do Equador, Rafael] Correa esteja em posição de solapar esses esforços", afirmou a deputada em comunicado. A legisladora, que preside o Comitê de Relações Exteriores da Câmara de Representantes, considerou que "a crescente aliança do Irã com Correa facilita a capacidade de Teerã de acessar as reservas de urânio do Equador". Além disso, mostrou sua inquietação diante da possibilidade "que o Equador esteja solidificando seu status como cúmplice deliberado de uma política iraniana centrada em danar os EUA, nossos interesses e nossos aliados". "Os EUA devem acompanhar de perto esta imutável cooperação e enfrentar o papel potencial de Correa ao auxiliar a ambição nuclear do Irã", acrescentou Ileana, garantindo que ambos países empreenderam "numerosos projetos econômicos e políticos juntos". CUBA Ahmadinejad confirmou que se reuniu anteontem com o líder cubano Fidel Castro. O encontro acontece em meio à tensão pelo início da operação da segunda usina de enriquecimento de urânio, aumentando a tensão com os Estados Unidos e seus aliados. O presidente afirma que conversou "muitos temas" com Fidel e disse que o ex-ditador segue "com detalhes" todos os assuntos regionais e internacionais. Ele qualificou como "muito boas" as reuniões com o ex-ditador e com o atual presidente Raúl Castro, a quem chamou de "meu querido irmão".