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MUNDO
Terça-feira, 08 de Julho de 2008, 20h:59

EUA E ISRAEL

Irã diz que atacará se sofrer ofensiva

Analistas acreditam que, apesar de possuir um poderio bélico bastante superior ao iraniano, os EUA dificilmente impediriam uma retaliação iraniana

A Guarda Revolucionária iraniana iniciou exercícios no Golfo Pérsico e enviou um alerta de que as forças americanas e Tel Aviv, em Israel, serão os primeiros alvos na região se o Irã for atacado. Um auxiliar do aiatolá Ali Khamenei disse ontem que, caso o Irã seja atacado por causa de seu programa nuclear, o país vai retaliar com um ataque a Israel e a navios americanos no Golfo Pérsico. A declaração foi divulgada no mesmo dia em que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que não vê a possibilidade de uma guerra entre seu país e os Estados Unidos ou Israel, aos quais acusou de fazer "propaganda e guerra psicológica" contra a República Islâmica. As manobras começaram ontem, um dia após as iniciadas por unidades dos EUA, Reino Unido e Barein na via marítima, e em meio à tensão na região causada pelas ameaças de Teerã de bloquear o Estreito de Ormuz caso o Irã seja atacado. Os exercícios dos Guardiães têm como principal objetivo "aumentar a capacidade defensiva e a preparação das unidades marítimas e de mísseis", disseram fontes militares. O site da Guarda iraniana cita Ali Shirazi, um assessor do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Shirazi afirma que Tel Aviv e navios e americanos serão os primeiros alvos se o Irã for atacado. "O regime sionista está pressionando a Casa Branca a promover um ataque contra o Irã". "O primeiro tiro americano no Irã daria início a um incêndio nos interesses vitais dos Estados Unidos no mundo", disse o também clérigo Ali Shirazi. Não está claro se quando Shirazi mencionou Tel Aviv ele se referiu apenas à cidade ou a Israel como um todo, já que o Irã não reconhece o país. "Garanto que não haverá nenhuma guerra no futuro", disse o presidente iraniano em Kuala Lumpur, onde participa de uma cúpula de países islâmicos em desenvolvimento. Sobre as reiteradas chamadas à destruição do Estado judeu, Ahmadinejad previu que o regime israelense entrará em colapso, sem necessidade de intervenção por parte do Irã. Ele pediu também ao próximo presidente dos Estados Unidos que conserte a prejudicada imagem internacional de seu país através do respeito à justiça e aos direitos humanos. Ahmadinejad disse que o atual governo americano, liderado por George W. Bush, "perdeu seu prestígio e o da América (EUA) aos olhos dos outros povos do mundo". ESPECULAÇÃO A especulação sobre uma possível ação contra o Irã aumentou no mês passado quando surgiu a notícia de que Israel realizou um exercício militar na Grécia simulando um ataque. O governo americano afirma desejar uma solução diplomática para a disputa, mas não descartou usar a força.

Edição EDIÇÃO 16967




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