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MUNDO
Sexta-feira, 02 de Julho de 2010, 20h:15

EX-REFÉM

Ingrid quer que Farc mudem de rumo

A ex-refém das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Ingrid Betancourt, pediu à guerrilha para mudar "de rumo" e libertar as pessoas que mantém sequestradas na Colômbia, ao lembrar ontem, ao lado de outros ex-reféns, o segundo aniversário da operação militar que os resgatou. "Tenho fé e esperança de que aqueles que estão sequestrados serão libertados logo e peço às Farc que mudem de rumo e se transformem em uma opção de paz", disse Betancourt, ao fim de uma cerimônia de comemoração da operação "Xeque", que o Exército colombiano realizou em 2 de junho de 2008. A operação permitiu resgatar Betancourt - ex-candidata presidencial em 2002 -, três americanos que trabalhavam para o departamento de Estado e 11 militares e policiais colombianos que estavam em poder da guerrilha. Ingrid, que ficou seis anos nas mãos das Farc, chegou a Bogotá na noite de quinta-feira. "Estou muito emocionada por estar na Colômbia", disse, em entrevista por rádio, a ex-candidata, que junto a outros membros da força pública resgatados nas operações "Xeque" e "Camaleão", prestou homenagem aos militares que os resgataram. São "os heróis da pátria", disse. O ato, que consistiu em uma oferenda floral em homenagem às pessoas que permanecem cativas, foi celebrado na Escola Militar "José María Córdova" (oeste de Bogotá), com a presença dos ex-reféns colombianos, dos chefes das Forças Militares e da polícia, além de diplomatas franceses. Os ex-reféns americanos Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, cuja presença em Bogotá foi anunciada na quinta-feira, não assistiram à cerimônia militar e, segundo fontes colombianas, se reuniram com diversas personalidades na embaixada do seu país. Em 13 de junho passado, uma operação batizada de "Camaleão" permitiu resgatar um general da polícia e outros três membros da força pública. A operação foi realizada uma semana antes do segundo turno das eleições presidenciais, vencido por Juan Manuel Santos (situação), ex-ministro da Defesa durante a operação "Xeque". Betancourt, que trabalhou com Santos quando foi ministro de Comércio Exterior durante o governo de César Gaviria (1990-1994), destacou na sexta-feira a eleição do candidato de Uribe à presidência e disse acreditar que o país segue "por um bom caminho". A ex-refém também elogiou a decisão do governo de Álvaro Uribe de resgatar os sequestrados mediante "operações humanitárias de autoridade", embora tenha opinado que não devem ser excluídos outros mecanismos para obter a libertação de 19 membros da força pública mantidos em cativeiro pelos guerrilheiros.

Edição EDIÇÃO 16966




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