O governo socialista de Portugal elaborou uma proposta que, se aprovada, tornará o país o sexto da Europa a permitir o casamento gay. A iniciativa altera a lei portuguesa para retirar referências ao casamento entre duas pessoas de sexo diferente, afirmou ontem o ministro da Casa Civil, Pedro Silva Pereira. A lei deve passar, já que o governo socialista tem o apoio de todos os partidos do centro e da esquerda que formam a maioria do Parlamento. As siglas da direita se opõem à medida. Pereira disse que o texto deve ser enviado aos parlamentares, provavelmente, em janeiro. Caso aprovada pelo Parlamento, a lei seguirá para o presidente conservador Aníbal Cavaco Silva, que pode ratificá-la ou vetá-la. Se houver veto de Silva, o Parlamento pode rever a derrubar a decisão presidencial. Caso não haja vetos, os primeiros casamentos entre pessoas do mesmo sexo no país podem ocorrer em abril - um mês antes de uma visita oficial de quatro dias ao país do papa Bento 16. O casamento gay é permitido em cinco países europeus, Bélgica, Holanda, Espanha, Suécia e Noruega. Em Portugal, um país de imensa maioria católica, esforços anteriores para introduzir uma lei sobre o casamento gay encontraram fortes resistências de grupos religiosos e parlamentares conservadores.