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MUNDO
Sábado, 19 de Janeiro de 2013, 13h:20

TERRORISMO

Exército argeliano liberta mais 9 reféns

Secretário de Defesa diz que os Estados Unidos "vão tomar todas as medidas necessárias" para se proteger da ameaça dos grupos ligados à Al-Qaeda no Magreb

O exército da Argélia libertou nove reféns estrangeiros em uma nova operação no campo de tratamento de gás onde radicais islâmicos sequestraram centenas de trabalhadores na última quarta-feira. Com isso, dos 17 funcionários noruegueses que estavam na central de gás no momento do ataque terrorista, 11 já estão a salvo, e agora resta saber o que aconteceu com outros seis, sobre os quais não há informações, admitiu Lund. Os sequestradores advertiram ontem que vão atear fogo ao local, se suicidando e também matando os trabalhadores, se o exército argelino tentar uma nova operação de resgate. As forças especiais da Argélia encontraram ontem 15 corpos queimados na usina de gás atacada por combatentes ligados a al Qaeda, disse uma fonte familiar com os desdobramentos da crise. Uma investigação estava em curso para tentar identificar os corpos, que foram encontrados após o exército argelino lançar uma operação para libertar dúzias de estrangeiros e trabalhadores argelinos na planta de gás. Não houve nenhuma indicação imediata das circunstâncias da morte dos encontrados ontem. REFÉNS Um comando jihadista, que diz agir em retaliação à intervenção francesa no Mali, afirma que ainda detém sete reféns estrangeiros, após a ofensiva do exército argelino no campo de exploração de gás no Saara. No exterior, os Estados Unidos e o Japão lançaram uma advertência à Argélia para que preserve a vida dos reféns em poder do grupo extremista. Washington reiterou as críticas veladas do Reino Unido e da Noruega contra Argel. O Conselho de Segurança da ONU condenou "nos termos mais fortes o ataque terrorista". Mais de 72 horas após o ataque e tomada de reféns no complexo de gás de In Amenas, 1.300 km a sudeste de Argel, próximo da fronteira com a Líbia, os sequestradores foram cercados pelas forças especiais argelinas, mas ainda detém uma dezena de reféns, entre argelinos e estrangeiros, indicou neste sábado uma fonte da segurança da Argélia. Enquanto isso, o secretário americano de Defesa, Leon Panetta, declarou ontem que os Estados Unidos "vão tomar todas as medidas necessárias" para se proteger da ameaça dos grupos ligados à Al-Qaeda no Magreb. "Nosso objetivo é garantir que, independentemente de onde a Al-Qaeda tente se esconder, evitaremos que estabeleça uma base e vamos evitar que realize ações terroristas", explicou. Fontes do grupo autor do ataque, que se identifica como "Aqueles que assinam com sangue", ligado à Al-Qaeda, disseram que "ainda mantêm sete estrangeiros como reféns no local - três belgas, dois americanos, um japonês e um britânico - no complexo". A Bélgica, no entanto, afirmou que não há indícios sobre a presença de belgas entre os reféns. Dois reféns americanos conseguiram escapar e o paradeiro de dois outros ainda é desconhecido. Três romenos foram libertados, segundo Bucareste. Dois cidadãos noruegueses, até o momento considerados como desaparecidos, estão sãos e salvos, diminuindo para seis o número de noruegueses cujo paradeiro é desconhecido, anunciou o grupo petrolífero Statoil, que opera o campo junto com a argelina Sonatrach e a britânica BP. De acordo com um balanço preliminar, 12 reféns e 18 sequestradores foram mortos na ofensiva militar e 132 reféns estrangeiros, bem como 573 funcionários argelinos, foram libertados. O número e a nacionalidade dos estrangeiros que morreram ainda são desconhecidos. Um porta-voz do grupo armado havia indicado na quinta-feira que 34 estrangeiros foram mortos no ataque das forças especiais. Washington anunciou a morte de um americano e Paris a de um francês. Um caminhão foi visto ontem transportando cinco caixões em direção ao hospital de In Amenas, onde são tratados os feridos evacuados desde quinta-feira. O estabelecimento, no entanto, está fechado à imprensa. O grupo extremista é composto de 40 membros originários da Argélia, Egito, Níger, Chade, Mauritânia, Mali e Canadá, que se infiltraram na Argélia a partir do Níger. Os islamitas são liderados por Abdelrahmane "o nigeriano", que detém os sete reféns estrangeiros. Segundo fontes, Belmokhtar propõe "a França e a Argélia negociar o fim da guerra travada pela França" no norte do Mali. Ele também deseja "trocar os reféns americanos detidos pelo grupo" por um egípcio, Omar Abdel-Rahman, e uma paquistanesa, Aafia Siddiqui, presos nos Estados Unidos.

Edição EDIÇÃO 16962




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