O general David Petraeus será o novo responsável pelas operações dos EUA; para ele, situação é difícil, mas ainda "há esperanças"
Ao assumir o comando militar dos Estados Unidos no Iraque ontem, o general David Petraeus afirmou que os riscos são altos, mas que ainda "há esperanças" de que uma operação conjunta entre americanos e iraquianos possa acabar com o conflito sectário que castiga o país. Petraeus alertou, entretanto, que caso os Estados Unidos não vençam a guerra, o Iraque poderá mergulhar em um conflito civil "sem fim". O novo comandante substituirá o também general George Cassey, que passará a ser o chefe do gabinete militar dos EUA. A mudança de comando aconteceu no Acampamento Nasser, quartel-general central das tropas multinacionais localizado no oeste de Bagdá, junto ao aeroporto internacional. "Os riscos são altos. O caminho será duro, mas há esperanças", disse ele em um palanque localizado em um antigo palácio do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein. "Nós podemos e devemos vencer. Está missão é possível." Com 54 anos, Petraeus tem ampla experiência no Iraque: participou da invasão do país em 2003 no comando da 101ª Divisão Aerotransportada e passou três anos na perigosa província de Ninawa, no norte do país. A mudança no comando militar americano no Iraque é parte de uma nova estratégia do presidente George W. Bush para o conflito, que já deixou ao menos 3 mil soldados americanos mortos. Apesar das críticas da oposição democrata, Bush pretende enviar mais 21,5 mil soldados para ampliar a segurança em locais críticos do país árabe. Petraeus insistiu na tese defendida pela administração de que os Estados Unidos e o Iraque devem trabalhar juntos para conter a violência. "A ´mochila´ é muito pesada para qualquer um carregar, por isso teremos que dividir a carga e nos movermos juntos. Se pudermos fazer isso e se pudermos ajudar o povo do Iraque, as possibilidades de progresso são boas", disse ele. "Se falharmos, o Iraque será condenado a continuar sofrendo com a violência e o conflito civil. Certamente esse é um cenário que todos devem evitar." De saída, o general Casey disse acreditar que os iraquianos estarão prontos para assumir a segurança do país até o final do ano, embora ele tenha ressalvado que o progresso em Bagdá tem sido mais devagar do que no resto do país.