Segundo o ministro espanhol do Interior Alfredo Pérez Rubalcaba, o cessar-fogo "permanente e verificável" declarado pelo ETA ainda é insuficiente
O grupo separatista terrorista basco ETA decretou ontem um cessar-fogo "permanente", "geral" e que "pode ser verificado pela comunidade internacional". O cessar-fogo foi comunicado em documento reproduzido o jornal independentista basco "Gara". Nele, o ETA diz que o cessar-fogo é sinal do seu "compromisso firme com um processo de solução definitiva e com o final dos confrontos armados". A nota, datada de sábado, dá sinais, contudo, de que o grupo não está disposto a ceder na causa. A solução para a guerra basca, afirma, "chegará através de um processo democrático que tenha a vontade do povo basco como máxima referência e o diálogo e o direito de autodeterminação, que são o núcleo do conflito político". Este comunicado é o oitavo pronunciamento do grupo separatista nos últimos 12 meses e sua 12ª proclamação de cessar-fogo desde que começou suas atividades armadas, há 50 anos. Em setembro do ano passado, o ETA, que luta pela independência da região basca, já se comprometera com a chamada Declaração de Bruxelas, assinada por várias personalidades, na qual foi pedido um cessar-fogo verificável. A Declaração de Bruxelas divulgada no dia 30 de março de 2009 e assinada por importantes mediadores internacionais. O texto pedia justamente um cessar-fogo permanente e que a comunidade internacional pudesse verificar. VÍDEO Dias antes, em 5 de setembro, o grupo anunciara em vídeo sua 11ª trégua. Três homens encapuzados dizem que a decisão de não levar adiante as ações armadas já estava tomada havia vários meses e prometem pôr em prática um processo democrático que leve à independência do País Basco, região que reúne partes de Espanha e França. Em nenhum momento fica claro se será um cessar-fogo permanente. O governo espanhol recebeu o vídeo com desconfiança e disse que era uma tática do grupo de legitimar seu braço político Batasuna para as eleições municipais de 2011. INSUFICIENTE O governo espanhol considera insuficiente o cessar-fogo "permanente e verificável" declarado ontem pelo ETA. O ministro do Interior espanhol, Alfredo Pérez Rubalcaba, recebeu com desconfiança a declaração e disse em entrevista coletiva que a medida demonstra que o grupo armado mantém as "mesmas pretensões de sempre".