MUNDO
Sábado, 29 de Dezembro de 2007, 11h:35
A
A
ASSENTAMENTOS
Ehud Olmert quer mais controle
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, determinou que o Ministério da Habitação não conceda mais, de forma unilateral, alvarás para a realização de obras em terras da Cisjordânia ocupada, afirmaram na sexta-feira autoridades israelenses. Olmert foi pego de surpresa por uma série de comunicados feitos pelo ministério sobre os assentamentos e que prejudicaram as negociações de paz iniciadas um mês atrás com os palestinos, segundo as autoridades, que não quiseram ter suas identidades reveladas. Apesar de a ordem significar que os novos alvarás para obras precisarão passar pelo gabinete de Olmert, não se sabe ao certo se o premiê adotará medidas para conter as construções dentro dos assentamentos existentes. Olmert, em uma reunião realizada na quinta-feira com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, não quis se comprometer em paralisar as obras já autorizadas ou já iniciadas nos assentamentos da área de Jerusalém. O gabinete do dirigente e o Ministério da Habitação não se manifestaram sobre o caso. As negociações de paz, lançadas com o apoio dos EUA em uma conferência ocorrida em Annapolis (Maryland), no mês passado, perderam força depois de Israel ter anunciado os planos de construir centenas de novas casas em uma área localizada perto de Jerusalém e chamada pelos israelenses de Har Homa. Os palestinos referem-se a essa área como Jabal Abu Ghneim. No encontro de Abbas com Olmert, ocorrido em Jerusalém e o primeiro deles desde Annapolis, os dois concordaram em dar prosseguimento às negociações, apesar da disputa em torno dos assentamentos. O principal negociador palestino, Ahmed Qurie, afirmou à Reuters que Olmert havia garantido a Abbas que "medidas serão adotadas pelo governo israelense quanto à questão dos assentamentos". Qurie não forneceu maiores detalhes. Para os palestinos, as obras em Har Homa representam mais uma peça da muralha de assentamentos construída ao redor de Jerusalém Oriental, isolando a cidade do resto da Cisjordânia. Essas obras, segundo afirmam, são parte da estratégia israelense de impedir qualquer possibilidade de Jerusalém Oriental tornar-se a capital de um eventual Estado palestino. PRISÕES As forças de segurança palestinas prenderam ontem três israelenses, um deles armado, perto da igreja da Natividade de Belém, na Cisjordânia, e posteriormente os entregou ao Exército hebreu. "Prendemos dois homens e uma mulher no lado de fora da igreja da Natividade", afirmou Daud Abu Gheith, chefe da polícia palestina de Belém. Eles foram entregues a uma unidade do Exército israelense depois de prestar depoimento. Uma porta-voz militar confirmou a informação e acrescentou que o israelense armado com um fuzil de assalto M-16 era soldado. "Os três israelenses entraram em Belén por engano, passeavam a pé pela região", acrescentou, antes de informar que serão adotadas "medidas disciplinares". O soldado, de 19 anos, alegou que queria ver a decoração de Natal de Belém.