O governo colombiano desautorizou ontem o diálogo do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em um nota divulgada após Ortega dizer que aceitaria a conversa com a guerrilha. "Qualquer atividade que se desenvolva em tal sentido tem que ter a aprovação do governo da Colômbia", declarou em Bogotá o ministro das Relações Exteriores colombiano, Jaime Bermúdez, que tomou posse nesta quinta. O comando das Farc, grupo considerado "terrorista" pelo governo da Colômbia, pediu em carta ao presidente da Nicarágua "um diálogo pessoal" sobre "assuntos da guerra e da paz" no país. "Somente um novo governo (colombiano), verdadeiramente democrático, surgido de um grande acordo nacional, poderia retomar o caminho para a busca de uma solução do conflito social e armado da Colômbia", indicou a mensagem da guerrilha, datada de 26 de junho. "Eu digo aos companheiros das Farc que sim, que estou disposto a levar a minha contribuição em uma iniciativa séria de paz na Colômbia que, atualmente, é um foco de instabilidade para toda a região", respondeu Ortega. O chefe de Estado da Nicarágua, que dirigiu a guerrilha nicaragüense que tomou o poder em 1979 antes de assumir o governo por via eleitoral em 2007, suspendeu temporariamente suas relações com a Colômbia após o ataque ao acampamento de Reyes.