MUNDO
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 19h:58
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ARGÉLIA/AVIÃO
Caixas-pretas já estão na França
As caixas pretas do avião da Air Algérie, que caiu no norte do Mali na semana passada, chegaram ontem à França, onde as bandeiras ficarão a meio mastro durante três dias em luto pelas vítimas, em sua maioria franceses. As duas caixas pretas, que registram dados técnicos sobre o voo e o sons da cabine dos pilotos, devem ajudar a esclarecer as circunstâncias do acidente no qual morreram 118 pessoas, 54 delas de nacionalidade francesa. O diretor do Escritório Investigações e Análise (BEA), Rémi Jouty, explicou que as primeiras observações feitas no Mali por seus analistas constataram que a caixa que registra os parâmetros do voo estava "pouco danificada" e, por isso, havia grandes esperanças na recuperação de seus dados. CONVERSAS Em relação à segunda, que grava as conversas produzidas na cabine, Jouty assinalou que esta parecia "muito mais danificada", embora tenha se negado a tirar conclusões prematuras. A princípio, a direção da investigação do acidente do MD-83 da Swiftair está nas mãos das autoridades do Mali, por ser o país onde o acidente aconteceu, mas as autoridades de Bamaco pediram assistência à França e, em particular, ao BEA. O avião caiu numa zona desértica de difícil acesso no norte do Mali, onde não restam mais que escombros do aparelho, um MD-83 alugado da empresa espanhola SwiftAir. Por ora, as causas do desastre são desconhecidas, mas vários especialistas apontam as más condições meteorológicas. AJUDA FRANCESA Pela quarta vez em cinco dias, o presidente francês François Hollande se reuniu ontema com vários membros do governo - o primeiro-ministro Manuel Valls e seus ministros - para discutir a queda do voo AH5071, que fazia o trajeto Uagadugu-Argel e que caiu menos de uma hora após sua decolagem na madrugada de quinta-feira. Sábado, o chefe de Estado se reuniu por quase três horas com as famílias das 54 vítimas francesas. Nenhuma das 118 pessoas a bordo - 112 passageiros (54 franceses, 23 burquinenses, oito libaneses, seis argelinos e cidadãos de outros países) e seis tripulantes espanhóis - sobreviveu. A França está mobilizada militarmente desde janeiro de 2013 no Mali, onde conta com 1.600 homens comprometidos em uma missão de luta contra os grupos armados terroristas, ao mesmo tempo em que apoiam as forças malinesas e da Minusma, segundo o ministério francês da Defesa. Há dois dias, Burkina Fasso também anunciou a abertura pelo Ministério Público de um inquérito judicial para investigar as causas do desastre.