O ex-ditador da Tunísia Zine el Abidine Ben Ali e sua mulher, Leila Trabelsi, foram condenados ontem a 35 anos de prisão. Foragidos desde o início do ano - quando buscaram refúgio na Arábia Saudita - os dois foram julgados à revelia e não estavam presentes no tribunal. No dia 14 de janeiro, após semanas de intensos protestos que deixaram cerca de 300 mortos, Ben Ali abandonou o país, na primeira da série de revoltas populares que contaminaria países do norte da África e do Oriente Médio nos meses seguintes. A sentença foi emitida com base nas acusações de roubo e posse ilegal de dinheiro e joias, e além da prisão a decisão inclui o pagamento de uma multa de US$ 65 milhões. SENTENÇA O juiz que leu a sentença disse que o veredicto quanto às outras acusações - entre elas posse ilegal de drogas e armas, além de homicídio, abuso de poder, complô contra a segurança do Estado, desvio de recursos e lavagem de dinheiro - deve ser divulgado no dia 30 de junho. Além da jurisdição civil, Ben Ali deve ser processado diante de um tribunal militar por 35 dos 93 delitos dos quais é acusado, como anunciou há poucos dias o chefe do governo provisório tunisiano, Beji Kaid Essebsi. Ben Ali negou todas as acusações, segundo um comunicado divulgado por um de seus advogados na véspera em Beirute.