Autoridades sérvias investigam quem ajudou o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic a assumir a falsa identidade que permitiu fugir por mais de uma década pela acusação de genocídio atribuída pelas Nações Unidas. Bruno Vekaric, porta-voz da Promotoria sérvia para crimes de guerra, afirmou que estas pessoas serão encontradas e processadas. Ele afirmou ainda que os investigadores tentam determinar a verdadeira identidade de Dragan Dabic, o nome que Karadzic usou durante os 12 anos em que fugiu da Justiça. Karadzic, criminoso da Guerra da Bósnia (1992-1995) capturado segunda-feira na Sérvia, espera pela extradição para o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII), em Haia, na Holanda, onde é acusado de genocídio, delitos de guerra e crimes contra a humanidade. De acordo com seu advogado, Svetozar Vujacic, o ex-líder servo-bósnio está certo da absolvição. "Ele (Karadzic) terá assessoria legal, mas se defenderá sozinho durante o julgamento em Haia", afirmou Vujacic. "Ele está convencido de que, com a ajuda de Deus, triunfará." Segundo autoridades sérvias, o homem cuja identidade falsa foi usada pelo acusado morreu em 1993 em Sarajevo. Meios de imprensa do país afirmaram que ele foi um soldado que morreu na Guerra da Bósnia. Porém, em Sarajevo, relatos dizem que ele foi um civil morto pelas tropas de Karadzic na tomada da cidade. As discrepâncias existem porque muitos homens com o mesmo nome viveram em Sarajevo na época. O porta-voz da Promotoria evitou fazer especulações. "Existem muitos Dragan Dabic em Sarajevo, mortos ou vivos". Ele disse ainda que Karadzic obteve a falsa identidade durante o regime do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, morto em 2006.