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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008, 21h:14
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NO MUNDO
Acidentes matam 830 mil crianças por ano
Aproximadamente a metade dessas mortes poderia ser prevenida através da expansão do uso de assentos em carros, da cobertura de poços e piscinas
Acidentes de carro, afogamentos e outros incidentes matam 830 mil crianças por ano no mundo todo, um número surpreendentemente grande que marca o crescimento de um problema normalmente ignorado, disse a Organização Mundial de Saúde. O relatório, compilado com informações de 200 especialistas do mundo todo, é o primeiro a avaliar a escala global do problema e espera colocar grupos de saúde pública e desenvolvimento em ação. "Ficamos surpresos com o tamanho do problema no nível global", disse Etienne Krug, autoridade da OMS que trabalhou na elaboração do relatório, em entrevista coletiva. "Há ignorância sobre a magnitude e sobre o potencial para a prevenção." A África tem a maior taxa de mortes acidentais. Aproximadamente 95 por cento das mortes aconteceram nos países em desenvolvimento, principalmente na África, mas o problema é grave em países ricos também, onde as mortes acidentais afetam desproporcionalmente os pobres. ACIDENTES O relatório global listou acidentes automotivos como a principal causa de morte, matando 260.000 crianças todos anos e ferindo 10 milhões. Afogamentos, queimaduras, quedas e envenenamentos acidentais completam as cinco primeiras posições da lista. Aproximadamente a metade dessas mortes poderia ser prevenida através da expansão do uso de assentos em carros, da cobertura de poços e piscinas, da construção de barreiras para evitar que as crianças tenham acesso a áreas de construção, além de outras medidas, constatou o relatório da OMS e do Fundo das Crianças das Nações Unidas. VIOLÊNCIA NO BRASIL Atualmente, segundo a ONU, aproximadamente 15 crianças e adolescentes morrem assassinados por dia. A incidência de mortes os transforma em um dos grupos mais vulneráveis em um cenário de violência urbana. Apesar da criação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que completou 18 anos neste ano, o Brasil registra um crescimento nos casos de crimes envolvendo menores de idade. Segundo Helena Oliveira, gestora de Programas na área de Proteção do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o que não faltam são políticas que visem assegurar os direitos básicos à população nessa faixa etária. "Fazer essa política pública funcionar é outra coisa. Os números de violência têm sido crescentes nos últimos 20 anos e vêm impactando a vida, e a vida precoce."